Blues nas trevas – a incrível saga de Jean Mitchel

Estadão

24 de outubro de 2010 | 14h08

Maurício Gaia 

No quarto episódio do programa-podcast Combate Rock, escolhi como trilha de fundo do último bloco duas músicas de uma figura inusitada e que tem muito a ver com o blues: o francês Jean Mitchel. A história deste homem poderia ser um dramalhão ambientado no México, caso o cenário não fosse Salvador da Bahia de Todos os Santos e a trilha sonora calcada pelos orixás do Sul dos Estados Unidos.

Depois de uma infância pobre, com passagens por reformatórios e episódios de mendicância, Jean Eugene Mouchere (seu nome de batismo) começou sua vida artística, já assumindo o nome de Jean Mitchel e participou de várias bandas de blues pela Europa. Pelos anos setenta, veio para o Brasil, vivendo no Rio – onde teve o privilégio de passar uma temporada em um presídio. Ao sair da cadeia, mudou-se para a Bahia. 

Na terra do axé, criou a Jean Mitchel Blues Band, que tocava em qualquer muquifo de Salvador – desde pequenos bares na zona do meretrício  a restaurantes por quilo na Cidade Baixa.

Jean Mitchel em ação em Salvador (FOTO: Thiago Fernandes - Divulgação

Foi preso novamente. Se envolveu com viciados. Teve uma filha, morta aos 13 anos,  afogada em um naufrágio de um barco que levava prostitutas para um navio ancorado na Bahia de Todos os Santos.

Vivia de trocos de couvert artístico nos poucos lugares onde conseguia tocar. Sem ter onde morar, dormia de favor no porão de um boteco no Pelourinho. Morreu em 2008, em decorrência de cirrose hepática. Três pessoas compareceram a seu enterro, na Quinta dos Lázaros, onde são enterrados os miseráveis da cidade.

Mais detalhes desta incrível e triste história, você pode ler  aqui.

E abaixo, Jean Mitchel Blues Band, em uma apresentação no Festival de Conceição do Almeida, cidade do interior baiano.

http://youtu.be/YCNLxasll4c

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