Blues Etílicos, impecáveis, mereciam mais público em São Bernardo

Estadão

25 de junho de 2013 | 06h54

Marcelo Moreira

Blues de graça, no frio e para pouca gente. A banda carioca Blues Etílicos ignorou os detalhes e não teve pudor em tocar muito bem e com vontade para começar a divulgar seu novo álbum, “Puro Malte”, que será lançado no começo de agosto pela gravadora/selo paulista Substancial Music. Profissionalismo que é a principal marca do grupo há 27 anos.

O interessante palco da praça de eventos do Parque Salvador Arena, em São Bernardo do Campo (ABC, na Grande São Paulo) parecia o lugar ideal para uma interação entre a energética banda de blues rock e o público, tão perto e tão caloroso. Pena que pouca gente soube do show.

“Estava vendo um jogo de futebol na televisão e ouvi um som diferente no parque. ‘Isso é diferente e é bom’. Desci e fui ver o que era. Como não fiquei sabendo que o Blues Etílicos ia tocar do lado de casa?”, afirmou Celso Campos Júnior, comerciante que mora em um edifício na rua paralela ao local do show.

Blues Etílicos no bom palco do Parque Salvador Arena, em São Bernardo

A banda carioca tocou no evento chamado Circuito Sesc das Artes, que roda o Estado de São Paulo levando atrações gratuitas na música e no teatro. A divulgação pelo Sesc foi tímida, e a Prefeitura de São Bernardo apenas mencionou o evento em um link discreto em sua página oficial, na área de Cultura, de seu site.

Não mais de 200 pessoas assistiram ao espetáculo, boa parte delas surpreendida ao passar pelo local e ver o som de qualidade rolando. Entrosadíssima e à vontade mesmo com o vento frio lateral da tarde de domingo, o Blues Etílicos tocou alguns hits e versões inspiradíssimas, como “Espelho Cristalino”, de Alceu Valença, que se tornou um blues de primeira.

Mas o melhor da tarde foi a execução em primeira mão de quatro das novas músicas, que estarão em “Puro Malte”. Blues suingado, repleto de referências brasileiras e e de bom humor. A faixa-título foi o grande destaque, uma homenagem às cervejas artesanais – assim como Sepultura, Velhas Virgens e outras bandas brasileiras, o Blues Etílicos também tem a sua própria marca de cerveja artesanal, ainda restrita apenas ao Rio de Janeiro.

Sem abusar da paciência do pequeno público, a banda tocou por 80 minutos e agradou bastante, seja pela descontração, seja pelo despojamento. Um programa agradável de domingo em local improvável. Que o Sesc e a prefeitura local consigam perceber o grande potencial que este tipo de programa gratuito tem e que incrementem a divulgação para atrair mais público. Roqueiros e blueseiros vão agradecer.

Solo de gaita de Flávio Guimarães

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