Blitz: uma festa constante

Estadão

01 de maio de 2012 | 12h00

Julio Maria

Ninguém sabia ao certo no que aquelas brincadeiras todas poderiam dar.   Evandro Mesquita lembra bem de quando o seu carrossel começou a girar.

Vocês sabiam o que estavam fazendo naquele momento? 

Queríamos fazer música que a gente curtisse, os amigos, namoradas e família.   Queríamos fazer o que não ouvíamos nas rádios.   Houve um período que nada acontecia depois dos Mutantes, Novos Baianos e Raul, fora os mestres Gil, Caetano e Chico.   Mas a música da minha geração não tinha vez nem voz nas gravadoras, rádios e TVs.  Antes de querer gravar não tínhamos a menor esperança de abrir essas portas das gravadoras e seus homens de terno.   Depois dos primeiros shows, sentimos no bairro e na praia que nossa galera adorava e queria mais!

Como foi que a classe artística viu a chegada da Blitz?  

Caetano Veloso falava da nossa Disneylândia pop.   Gilberto Gil disse que demos uma blitz na MPB.   Paulinho da Viola assistiu a um show nosso no Canecão e falou que começou a ter mais simpatias pelo rock.   Dorival Caymmi foi ao camarim do Canecão nos abençoar.   Roberto nos chamou para uma grande participação em seu especial de fim de ano.

Rock, no momento, não era coisa séria demais?  

O Rio era mais o berço do samba e Sampa sempre foi mais rock and roll, mas tinha aquela onda dark, todos de preto e com cara de bandido.   O que não tinha muito a ver com nossa realidade de praia, verão e cores.   Viemos nessa contramão, o que incomodou muita gente.   Estávamos impregnados de Bob Marley e sua sonoridade tropical com energia rock.   Hoje, a Blitz segue na turnê sem fim.   Enquanto houver bambu… tem flecha.

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