Black Sabbath, talvez o último grande show do nosso tempo

Estadão

10 de outubro de 2013 | 07h00

Marcelo Moreira

O maior show de rock realizado no Brasil depois das estreias por aqui de Rolling Stones e U2 está sendo tratado como um evento qualquer por todos. Até mesmo o público parece não estar entendendo direito a dimensão da importância que a turnê do Black Sabbath por aqui está tendo. Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Ozzy Osbourne juntos pela primeira vez em nossas terras é algo tara ser celebrado e comemorado. Até mesmo os shows de AC/DC em 1996 e Rush em 2001 movimentaram mais os roqueiros.

O aparente clima de normalidade não condiz com a importância do evento. Desde que Ozzy decidiu voltar a tocar com os companheiros, em 1997, aguarda-se a passagem da banda pela América do Sul. Ao lado de Van Halen, Led Zeppelin e Rush, o Sabbath com Ozzy era o espetáculo mais esperado no Brasil. O Led jamais virá, Rush já veio duas vezes e Van Halen aparentemente se recusa a tocar fora dos Estados Unidos, exceto por pouquíssimas datas na Europa – assim como The Who, que aparentemente não tem o menor interesse em viajar 15 mil quilômetros para vir. E como o Pink Floyd também jamais virá, O Black Sabbath com Ozzy é, portanto, o último grande artista do nosso tempo a finalmente tocar no Brasil.

CD novo, turnê concorrida e uma penca de clássicos, tudo com a abertura do competente Megadeth. O Black Sabbath chega para coroar um ano em que o Rock in Rio agradou bastante em sua segunda parte, com gigantes como Iron Maiden, Metallica, Slayer e Bruce Springsteen – O Iron Maiden até deu uma esticadinha por são Paulo. É um fechamento de ouro para uma grande temporada, que ainda terá como bônus Aerosmith e Whitesnake no Monsters of Rock.

Ozzy Osbourne e Geezer Butler na coletiva - Marcos de Paula/ Estadão
Marcos de Paula/ Estadão – Ozzy e Geezer em entrevista coletiva no Rio de Janeiro

Esqueça que a voz de Ozzy está desgastada e seus discursos abilolados são motivos de piadas na internet. Esqueça que Bill Ward, o baterista original, não veio por questões financeiras. Esqueça que Tony Iommi esteja debilitado – passou mal e não deu entrevista no Rio de Janeiro na terça-feira. Não é todo dia que um artista criador de um praticamente gênero musical se apresenta diante dos brasileiros. Ok, Chuck Berry, Little Richard e outros pioneiros do rock passaram por aqui nos anos 80, mas em situação de completa indigência artística, e soando, com muito custo, como “covers” de si mesmos.

O Black Sabbath chega ancorado em álbum excelente, “13”, que recolocou a banda nas paradas do mundo inteiro e suas músicas em emissoras de rádio importantes no mundo. Tony Iommi ainda é um dos maiores mestres da guitarra, mesmo aos 65 anos de idade, assim como Geezer Butler continua a mesma usina potente de graves e riffs pesados no baixo. Os shows da turnê atual, que já passaram por Oceania e Europa, mostram uma banda afiada, entrosada, sendo que os poucos deslizes de Ozzy em nada comprometeram a performance do conjunto.

As músicas novas, como “God Is Dead?” e “The End of Beginning” soam poderosas ao vivo. São densas e conseguem prender a atenção da plateia. E em seguida vem a sucessão de clássicos que marcam os 45 anos de existência do Black Sabbath. Ouvir Ozzy cantar “War Pigs”, “Iron Man”, “Paranoid” e mais uma penca de hits tendo a parede sonora de Iommi por trás é mais do que uma dádiva, é a verdadeira celebração de todo um movimento cultural. É a verdadeira comemoração de um gênero musical.

Black Sabbath com Ozzy é um evento histórico no Brasil, que provavelmente não se repetirá. O impacto é tão grande e tão importante quanto o primeiro show do Queen por aqui, em 1981. Tão ou mais impactante quanto o de Alice Cooper em São Paulo, em 1974, ou o do Kiss no Morumbi, em 1983. E certamente é tão esplendoroso quando as estreias dos Rolling Stones, em 1995, e do U2, em 1997, ou mesmo a do Rush, em 2001, ou ao retorno do AC/DC, em 1996, ao mágico show de Pal McCartney em 1992, ou o mítico Metallica em 1989. Os ingressos para São Paulo e Porto Alegre esgotaram-se em poucas horas. Mesmo no Rio de Janeiro, onde o rock não goza de tanto prestígio, só restam pouquíssimas entradas.

Para os afortunados que estarão nos estádios vendo os shows, só resta a expressão em latim: “carpe diem”, aproveitem muito bem o dia. A história estará rolando ao vivo bem na frente de seus narizes. Será o último grande evento com os grandes todos os tempos? É bom Van Halen e The Who abrirem os olhos, pois a chance de fazerem história no Brasil é gigantesca.

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