Black Rebel Motorcycle Club: 'Não fazemos música para todos'

Estadão

12 de novembro de 2011 | 12h00

Pedro Antunes

Com uma sonoridade que passa por riffs de guitarras simples, minimalistas, letras profundas e pesadas, e uma repetição de batidas hipnotizante, o Black Rebel Motorcycle Club nunca atingiu a fama de uma grande banda de rock. Nem mesmo 13 anos de estrada e seis discos lançados e sempre elogiados (o último, Beat the Devil’s Tattoo, saiu ano passado).

Nem mesmo a escolha cult pelo nome do grupo: o Black Rebel Motorcycle Club era um bando de motoqueiros arruaceiros no filme O Selvagem (1953), que verdadeiramente lançou Marlon Brando.

Em entrevista ao JT, o baixista Robert Levon Been afirma que isso (o anti-pop) sempre foi a intenção do grupo que tocará no SWU dia 14 de novembro, às 15h45:

Vocês são sempre elogiados, mas não são tão populares. Vocês se colocam essa cobrança, ou acham que deveriam ser apadrinhados por alguém?

Isso nunca aconteceu. Normalmente é o oposto, sabe? Muitas bandas que respeitamos disseram coisas legais sobre a gente. A imprensa também. Começamos a perceber isso nos festivais. Percebemos como o mundo é pequeno, como todos se conhecem. É surreal. Queríamos é alcançar esse tipo de coisa, esse reconhecimento, com o nosso melhor.

É, de fato o som de vocês não é nada pop.

Exato, a nossa música não é pop. Não é acessível para o mainstream. Não ficamos pensando em fazer grandes coisas para aparecer. Algumas pessoas gostam da gente justamente por isso. Não fazemos muita para todo mundo e, com isso, começamos a ter fãs fieis.

O último disco é tão diferente do instrumental ‘The Effects of 333’, de 2008 Por que tentaram esse dois caminhos diferentes, em dois álbuns?

Não tínhamos ideia do que fazer. Naquela época nós perdemos o nosso baterista (Nick Jaggo deixou o grupo em junho de 2008). Estávamos muito perdidos, sem ideia para onde iria o nosso som. Daí achamos a Leah (Shapiro, baterista de turnê do The Raveonettes), e entramos em turnê. Ela tocou as velhas músicas de forma muito boa. Mas criar músicas novas é outra coisa. Gostaríamos de fazer de maneira certa. Fiquei orgulhoso desses dois discos. Não fomos forçados. Colocamos fé naquilo que fazemos. Tiramos a mão do volante de um carro em movimento.

E por que escolheram a Leah?

Ela é uma das melhores bateristas que eu já vi. Víamos ela nas turnês e sempre arrebentava.

Foi dolorosa a saída do Nick?

Ele é um cara muito complicado, uma pessoa complexa. Quando estávamos juntos como banda, era briga o tempo todo, sempre um drama. Às vezes, acho, isso pode ser bom para a música. Um pouco de drama pode fazer bem, criar um incêndio. Ele é um grande artista, mas chegou um momento em que não era mais possível aguentar. Isso tudo levou a saída dele na banda.

O som de vocês é obscuro, combina mais com clubes fechados, certo? Mas a estreia no Brasil será num festival a céu aberto.

Mas, cara, queríamos tanto ir para o Brasil. Era um dos nossos sonhos. Sério. Vamos tocar o máximo de música que pudermos. Faremos o melhor show do festival. Quando anunciaram nosso nome no festival, nosso site encheu de comentários de fãs brasileiros. Isso é um sonho.

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