Black metal made in Brazil

Estadão

26 Setembro 2013 | 16h58

Renato Sanson – blog Heaven and Hell


Disco do ano! Começo essa resenha ao mesmo tempo emocionado e impressionado com o novo trabalho dos baianos do Malefactor, seu quinto álbum de estúdio “Anvil of Crom”, que esta sendo lançado no Brasil via Eternal Hatred Records, é uma obra prima do metal extremo, pois o que a banda nos apresenta neste lançamento é algo fora do comum.
Para muitos pode parecer exagero, mas o que o Malefactor conseguiu fazer é no mínimo de emocionar, a fusão do Metal Extremo, com Metal Tradicional e música clássica ficou perfeita, sendo impossível classificar o som do grupo, que mostra muita intensidade, melodia e partes altamente climáticas.
Outro ponto de estaque fica para parte gráfica do trabalho, um lindíssimo Digipack que se abre em três partes, além de um belo encarte, com todas informações necessárias, sem contar a arte da capa que é linda e cheia de detalhes, mérito da própria banda que criou a arte e do artista Marcelo Almeida que ficou com a missão de trazer toda essa beleza ao mundo visível.
A produção do disco também esta ótima, Marcos Franco e Vitor Marcos que também cuidaram da mixagem e masterização do, fizeram um excelente trabalho, deixando tudo limpo e cristalino, com tudo extremamente bem dosado, não deixando nenhum detalhe sonoro de fora.
Musicalmente fica impossível citar destaques, pois o álbum em si é de uma beleza incrível, mas para se ter uma ideia, “Elizabathory” mostra um poder de fogo absurdo, com belos corais e vocalizações variadas que transitam entre o limpo, gutural e rasgado, sendo extramente grandiosas; já “666 Steps to Golgotha” mostra o lado mais intenso e obscuro, com excelentes teclados ao fundo, além de riffs potentes e melodias belíssimas, que ainda conta com a participação de Eregion (Unearthly) nos vocais; “Anvil of Crom” é épica e poderosa, com um belo dedilhado de baixo e guitarras limpas em seu inicio, que vai ganhando intensidade, até chegar nos riffs e solos de guitarra destruidores, sem contar os belos coros e vocalizações limpas que engrandecem ainda mais o trabalho; “A Guerra Virá” que é cantada em português, conta com a participação da vocalista Hécate (Miasthenia), em uma faixa variada e instigante, mostrando muita agressividade e complexidade.
E por falar em Unearthly, tem coisa boa da banda no mercado. Existe uma certa tendência de alguns grupos de black metal de se recusarem a tocar ao vivo, na minha visão a não ser que seja uma one man band,  isso me soa como desculpas para esconder possíveis incapacidades de reproduzir ao vivo o que é feito em estúdio.
No Brasil sem sombra nenhuma de duvida nosso expoente mais forte no metal negro é o Unearthly, um dos motivos disso é que sabiamente seus músicos não querem gritar pros quatro cantos o quanto são bons, e se dedicam a música e exclusivamente a ela, por isso que ouvir  “Baptizing the East in Blood” seu novo registro ao vivo é sem duvida impactante.
Antes de mais nada vale destacar a gravação, o áudio foi captado na  Rússia cidade Voronezh (pensava que o público europeu era mais pacifico, ledo engano o pessoal agita muito) na produção Felipe Eregion, mostra que alem de ser um baita vocalista é um grande produtor, destaque também para a mixagem feita por Luiz Freitag e Fernando Campos (feita no Estúdio AM, no RJ).
É claro que deve ter rolado algumas mexidas em estúdio, mas a pancadaria aqui é tão grande que você acaba se sentindo transportado para a plateia, e quando se der conta estará bangeando que nem um condenado.
E se tratando do set list que vem uma pequena critica, nada contra aos trabalhos “Flagellum Dei” e “Age of Chaos”, muito pelo contrário, reconheço como fã do Unearthly que foram esses trabalhos que fizeram a banda chegar onde estão hoje, porem como acompanho o grupo desde das antigas confesso que esperava ouvir aqui hinos profanos dos seus dois primeiros registros (“Infernum – Prelude to a New Reign” e “Black Metal Commando”), a propósito a banda liberou os dois álbuns na integra no Youtube, acesse lá e descubra o poder da horda carioca.
Voltando ao trabalho atual, aqui temos tocadas com uma agressividade incomum verdadeiros tormentos sonoros como: “7.62” (o solo dessa música é arrepiante), “Osmotic Haeresis” e “Black Sun” com sua sonoridade em ritmos nordestinos aliada ao Metal negro.
Impossível deixar de citar a épica “Revelations of the Holy Lies” e “Age of Chaos”, as duas do álbum homônimo com destaque alem das metrancas na bateria e os vocais de Eregion que estão cada vez mais assustadores.
O mais legal que os Brazilians Devils não esquecem suas origens, fazendo uma bela homenagem aos “Pais” do Black Metal, então tome “Orgy of Flies” clássico absoluto do Sarcófago numa versão bem fiel a original.

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