Black Keys, os reis do rock vintage

Estadão

17 de março de 2013 | 16h01

Bolívar Torres, Especial para o Estado

O sucesso parecia não chegar nunca na carreira de Dan Auerbach e Patrick Carney. Em 2002, quando lançou seu primeiro disco, a dupla americana ainda se sustentava cortando grama nas casas de Akron, sua cidade natal. Os álbuns seguintes conquistaram o respeito crítico, mas nunca chegaram a estourar comercialmente, apesar do revival do garage rock no início da década passada.

Fama indie. Três Grammy’s no currículo - Mike Blake/Reuters
Mike Blake/Reuters
Fama indie. Três Grammy’s no currículo

 

Tudo mudou de repente depois do lançamento de Brothers, em 2010: com mais de um milhão de cópias vendidas, um single de luxo (Tighten up), e três Grammys no armário, nunca mais precisaram cuidar da grama de ninguém. A banda, formada por Auerbach nos vocais e guitarra e Carney na bateria, trocou as pequenas casas noturnas pelas multidões das arenas. No dia 30 de março, será uma das principais atrações do segundo dia do Lollapalooza, em São Paulo.

“Antes de Brothers conseguíamos vender 15 mil cópias e estávamos feliz com isso. É o máximo que se pode fazer sem tocar no rádio”, conta Auerbach, em entrevista por telefone. “O sucesso veio ao natural, de alguma forma o público chegou até nós. Mas não nos comportamos diferente quando tocamos para grandes multidões. Tecnicamente somos rock stars, mas nos mantemos os mesmos, e acho que é o que o público gosta em nós.”

É possível que o longo purgatório do Black Keys tenha uma explicação simples. Por muito tempo, Auerbach e Carney ficaram à sombra de uma banda quase gêmea. Nos anos 00, quando se falava em garage blues para bateria e guitarra, o monopólio era sempre dos White Stripes, seus vizinhos no norte dos EUA. A diferença é que, ao contrário do The Black Keys, Meg e Jack White tinham na manga um hit mundial, Seven Nation Army.

A virada do Black Keys, contudo, não se deveu a uma única música, e sim à parceria com o produtor Brian Burton, o Danger Mouse, responsável por tornar a sonoridade do grupo mais palatável para as massas. Lançado em 2011, o último disco da dupla, El Camino, teve grande influência do seu produtor, que se baseou em três trunfos: eletricidade vintage, refrãos grudentos e riffs que pegam de imediato. Auerbach, Carney e Burton também acharam o seu grande hit, Lonely Boy, que sintetiza com perfeição a nova fase do grupo.

“Em primeiro lugar, Burton é um cara com quem a gente se dá bem, somos amigos”, avalia Auerbach. “Mas é certo que o seu conhecimento de música pop nos ajudou bastante, são pequenos detalhes que nos ajudam na mesa de produção.”

O título do álbum, El Camino, é uma referência à longa estrada percorrida pela banda até o reconhecimento público. Desde o primeiro encontro entre Auerbach e Carney, ainda garotos, nas ruas de Akron, ao período de pé na estrada e penúria. Na capa do disco, vê-se a foto de uma van desgastada, implorando pela aposentadoria. Trata-se do mesmo modelo que transportou a dupla pelas casas de shows, de cidade em cidade, nos primeiros anos da banda. Trata-se de um lembrete para os fãs mais recentes, que não conhecem seus discos mais antigos.

“Não tínhamos ar condicionado e dormíamos na parte de trás da van”, recorda Auerbach. “Foi uma época maravilhosa porque éramos jovens e loucos o suficiente para fazer aquilo. Mas hoje seria impossível. Não acho que conseguiríamos voltar a esse sistema, atravessar o país em uma van.”

LOLLAPALOOZA

Jockey Club. Av. Lineu de Paula Machado, 1.253. De 29 a 31 de março.
R$ 350/ R$ 990 – www.lollapaloozabr.com

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