Black Country Communion, mesmo apressado, acerta em cheio de novo

Estadão

21 de junho de 2011 | 07h15

Marcelo Moreira

Já era esperado, mas os caras exageraram. Quando o supergrupo Black Country Communion lançou o seu primeiro álbum, autointitulado, no ano passado, a obra rapidamente foi considerada uma obra-prima do rock e foi eleita por leitores de diversas revistas e sites como um dos melhores trabalhos de 2010.

“Black Country Communion 2”, recém-lançado, superou muito as expectativas. O primeiro foi excelente, o segundo está maravilhoso. Mais pesado, mais feroz e bluesy, com um feeling absurdo e uma descontração desconcertante. É nítido que os quatro músicos estão felizes e satisfeitos.

O futuro da banda esteve sob risco neste 2011. Não houve brigas, não houve problemas jurídicos nem administrativos. O problema eram as agendas.

Joe Bonamassa (guitarra e vocais) e Glenn Hughes (baixo e vocais, ex-Deep Purple e Black Sabbath), os líderes do projeto, mantêm sua carreiras solo e tinham compromissos no primeiro semestre deste ano.

O guitarrista começou uma turnê solo por Estados Unidos e Europa no segundo semestre de 2010, interrompida em março deste ano para gravações a jato de seu novo álbum solo, “Dust Bowl”, lançado há dois meses.

A turnê foi retomada, para ser novamente interrompida por conta da finalização das gravações e mixagem do álbum do Black Country Communion.

Já Glenn Hughes também engatou pequenas turnês na Inglaterra no final do ano passado e no começo deste ano, além de estar ocupado com o lançamento de seu pacote CD/DVD “Live in Wolverhampton”, que sai em breve.

A ginástica para acomodar as agendas deu certo e os dois, mais Jason Bonham (bateria) e Derek Sherinian (teclados, ex-Dream Theater), se reuniram em Los Angeles para terminar o trabalho de forma apressada.

Apesar disso, nem parece que houve correria. “Black Country Communion 2” tem uma produção primorosa de Kevin Shirley (Dream Theater, Iron Maiden, entre outros) e tem um equilíbrio raro de peso, melodiam blues e toques funk.

O disco abre com a pegada heavy e urgente de “The Outsider”, lembrando a força de “Fireball”, do Deep Purple. O que muitos vocalistas sofreriam horrores para fazer Hughes faz brincando, o que mostra todo o seu talento.

“Man in the Middle” é outra que remete ao Deep Purple, com baixo gordo e pulsante e guitarras na cara, pesadíssimas. O clima bastante em “The Battle of the Hadrian’s Wall”, que começa como uma balada épica ao melhor estilo Led Zeppelin, com violões dobrados, na voz suave de Bonamassa, para depois descambar em uma pauleira contagiante com os vocais pontuais de Hughes.

A funkeada “Save Me” quebra um pouco o clima, apesar dos vocais extraordinários de Hughes, para cair no hard rock estupendo “Smokestack Woman”, outra de inspiração puramente zeppeliniana.

“Faithless” retoma o clima bluesy, com um acento um pouco mais pop, preprando o terreno para o terreno para outro maravilhoso dueto de vozes entre Bonamassa e Hughes em “An Ordinary Son”.

O quarteto após apresentação na Inglaterra em 2010

“I Can See Your Spirit” volta ao hard’n heavy vigoroso do começo do trabalho, com solos inspirados de Bonamassa, para cair no bluesaço pesado e denso de “Little Secret”, a melhor música do álbum. Mais uma vez é impossível não remeter ao Led Zeppelin, na maravilhosa “Since I’ve Been Loving You”.

O final leve e contagiante fica por conta do funk dançante “Crossfire” e da bela balada “Cold”. Aguarda-se agora nova negociação mirabolante das agendas dos músicos para que seja possível a realização de uma turnê mundial. O grupo já negocia pelo menos dez datas na Inglaterra e na Europa ainda em 2011.

 

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