Black Country Communion faz o melhor hard rock da atualidade

Estadão

23 de setembro de 2010 | 08h09

Marcelo Moreira

Finalmente saiu o segundo álbum mais aguardado do ano pelos roqueiros que gostam de música mais pesada – o primeiro foi “The Final Frontier”. “Black Country Communion” é o CD da banda homônima formada por Glenn Hughes (baixo e vocal), o astro do bloues Joe Bonamassa (guitarra e vocal), Derek Sherinian (teclados) e Jaosn Bonham (bateria).

Após uma séria ameaça de projeto abortado por questões legais, supergrupo entrou em estúdio sob o comando do produtor Kevin Shirley (Iron Maiden e Dream Theater) e criaram um excelente álbum – pesado, melódico, virtuoso e muito bem produzido, desde já um dos melhores do ano.

De longe é o principal supergrupo da atualidade. Supergrupo é quando uma banda reúne músicos excelentes e consagrados – o trio Cream, por exemplo, reuniu Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker em 1966, todos estrelas de seus trabalhos anteriores na época.

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Glenn Hughes dispensa comentários, tocou no Deep Purple, Black Sabbath, no projeto Phenomena e em ais de duas dúzias de projetos de qualidade. Joe Bonamasa é uma das estrelas maiores do blues atual, ao lado de nomes como Jonny Lang, Kenny Wayne Shepherd e Eric Gales.

Derek Sherinian tocou com excelente Dream Theater e seus trabalhos solo são recheados de convidados especiais, como Yngwie Malmsteen e Al Pitrelli. Jason Bonham “só” substituiu o pai, John Bonham, nas diversas reuniões do Led Zeppelin após 1980, além de ter tocado com bandas gigantes como UFO e Journey.

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Black Country Communion: Joe Bonamassa, Glenn Hughes, Jason Bonham e Derek Sherinian (da esq. p/ dir.)

A ideia nasceu em 2009, após uma jam session envolvendo Glenn Hughes e Joe Bonamassa durante o Guitar Center’s King of the Blues, na cidade de Los Angeles.

“Quase abortamos o projeto por conta de problemas envolvendo questõezinhas jurídicas inventadas pelos advogados de cada parte. Eu me enchi e reuni os caras no estúdio e disse: ‘Somos amigos, não somos? Queremos tocar juntos, não queremos? Então por que estamos patinando nas mãos de advogados?’ A partir de então demos ordens para resolver tudo em 48 horas e nos divertimos muito”, afirmou Joe Bonamassa a um site especializado nos Estados Unidos no começo deste ano.

A música de abertura é uma porrada. “Black Country” mostra o potencial do grupo com uma letra agressiva, mas nada violenta, além de guitarras virtuosas e solos maravilhosos. Aliás, Bonamassa rouba o “show”, com execuções precisas e solos rápidos e certeiros, como “One Last Soul” e “The Great Divide”. Um hard rock de primeira, como há um bom tempo não surgia no mercado.

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