Bill Wyman se aquece para voltar aos Stones em 2013

Estadão

19 de abril de 2012 | 06h45

Marcelo Moreira

O Sticky Finger’s Café, em Philimore Gardens, em Londres, é um local bastante agradável e que vive rock’n roll o tempo todo. Ao contrário do nome, é um restaurante sofisticado e com cozinha elogiada.

À noite, em finais de semana, é possível encontrar em uma mesa Eric Clapton jantando sossegadamente, ao lado da esposa, enquanto na mesa ao lado Peter Frampton bate papo com músicos de estúdio famosos na Inglaterra, como Chris Stainton e Andy Fairweather-Low.

No fundo, é bem capaz de David Gilmour estar discutindo alguma futilidade com os amigos Brian May ou Jeff Beck, enquanto esperam a chegada de Pete Townshend, que dá o cano com frequência.

Se o visitante der sorte, pode tropeçar em Keith Richards e Ron Wood na mesa de entrada – este último, a contragosto, bebendo água, após sua última estada na clínica de reabilitação.

O Sticky Fingers é na verdade o grande ponto de encontro da nata do rock, onde as principais estrelas passam de vez em quando para dar um alô a William Perks, o proprietário.

Só que os amigos provavelmente ficarão sem ver Perks por algum tempo neste ano e em 2013, a julgar pelas informações que alguns frequentadores do local andam passando para jornais ingleses e sites roqueiros.

É que o restauranteur, um senhor muito elegante de 75 anos de idade, deverá ressuscitar o seu personagem e embarcar em uma turnê comemorativa de 50 anos de carreira de uma banda de rock, os Rolling Stones. Após 20 anos afastado, William Perks voltará a ser Bill Wyman, o baixista que anunciou sua saída em 1992 após o lançamento do álbum ao vivo “Flashpoint”.

“Estive com Bill e os outros caras em dezembro, em um estúdio londrino, e fizemos um som, resgatando coisas antigas. Ele gostou de estar conosco novamente, e até Mick (Jagger) passou por lá no terceiro dia. Percebi que Bill está empolgado com a possibilidade de tocar conosco em 2012”, disse Keith Richards à revista Rolling Stone, na edição de abril.

Wyman silencia a respeito e seus agentes não confirmam a agenda do então ex-músico dos Stones para 2012 e 2013. O que se sabe é que sua banda bissexta, os Rhythm Kings, não tem atividades programas até dezembro do ano que vem.

Um músico de estúdio famoso de Londres, frequentador assíduo do Sticky Fingers e que já tocou com Eric Clapton, Roger Waters, com o Who e com Pete Townshend, entre outros, garante que Wyman já teria topado tocar com os velhos companheiros, mas desde que não seja uma estafante turnê mundial. O comentário indiscreto foi reproduzido por sites de rock ingleses e fóruns na internet dedicados aos Rolling Stones na Europa.

Seja como for, a revista Rolling Stone publicou na edição de abril que já é consenso que os Stones só tocarão em 2013, e mesmo assim sem fazer uma turnê mundial gigante.

Bill Wyman

Discute-se a possibilidade de realizar pelo menos 30 shows, sendo 10 em Nova York, 10 em Los Angeles e 10 em Londres, justamente para evitar uma turnê por conta da saúde frágil de Richards, que ainda tem sequelas da queda de uma árvore nas ilhas Fiji, quando ali passava férias em 2006.

Diante da possibilidade de Wyman tocar com os companheiros, Richards deixou a porta aberta também para que Mick Taylor, o guitarrista que substituiu Brian Jones e que deu lugar a Ron Wood em 1974, participe de algumas datas.

O comando administrativo dos Stones não confirma nenhuma dessas informações, ainda que Keith Richards comente o assunto abertamente. Taylor se mantêm discretíssimo, como sempre, e Wyman também não toca no assunto, que jpa sendo bastante comentado dentro do próprio Sticky Fingers.

Se Wyman topar, ninguém sabe o que ocorrerá com Daryl Jones, o exímio baixista que acompanha os Stones desde 1992 como músico contratado, tanto em estúdio como em turnês.

O site Blabbermouth.net especulou recentemente sobre a possibilidade do retorno de Wyman, mas apontou uma ressalva, feita por um integrante do estafe de turnês dos Rolling Stones, que dá conta de duas preocupações: o longo período de Wyman afastado dos palcos e das turnês – os shows com os Rhythm Kings eram raros e bem “light” – e a própria idade do baixista, que é bem mais velho que os demais companheiros.

Esses fatores conspiram para que Daryl Jones acompanhe a banda, na hipótese de Wyman decidir não tocar em todas as datas.  Nada disso importa, na verdade, desde que o baixista esteja presente na comemoração do cinquentenário dos Stones, a única banda de rock a conseguir esse feito.

Rolling Stones nos anos 80; Wyman é o último à direita

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.