Bill Ward ameaça não participar da reunião do Black Sabbath

Estadão

03 de fevereiro de 2012 | 06h40

Marcelo Moreira

A reunião da formação original do Black Sabbath para gravar um CD e fazer uma turnê mundial está ameaçada. O baterista Bill Ward ameaça não participar caso não assine um contrato “assinável”, como deixou claro em nota divulgada em sites de fãs da banda. Ele reclama proncipalmente da “falta de reconhecimento” sobre a sua importância para a banda e que não assinará nenhum compromisso “que fira direitos adquiridos, como ocorreu 14 anos atrás” (referindo-se à reunião que gerou uma turnê e um álbum ao vivo com duas inédias de estúdio).

Ward afirmou que ainda não lhe foi oferecido um contrato, que ninguém o procurou para discutir as bases de um acordo para que participe dos eventos, mesmo tendo participado “de boa fé” da conferência de imprensa em novembro passado em Los Angeles, nos Estados Unidos. “Quero manter a minha dignidade e respeitar os fãs mais do que tudo”, disse o baterista na nota.

A reunião já corre risco em razão da doença de Tony Iommi, um câncer linfático, descoberto no ano passado. O guitarrista disse que os planos estão mantidos para o CD e a turnê, mas empresários já cogitam adiamentos – a apresentação no Coachella Festival, nos Estados Unidos, já foi cancelada.

Black Sabbath versão 2011 em anúncio no Whiskey A Go-Go, em Los Angeles

Leia a tradução da carta de Bill Ward, publicada no site Van do Halen e reproduzida no Whiplash:

Queridos fãs do Sabbath, amigos músicos e partes interessadas

Adoraria ser possível continuar com o álbum e turnê da banda. No entanto, não posso continuar enquanto um contrato “assinável” não seja estabelecido. Algo que reflita dignidade e respeito que eu mereça como membro original. Ano passado, trabalhei acreditando na boa fé de Tony, Ozzy e Geezer. Em 11 de novembro, mais uma vez confiando, participei da coletiva de imprensa em Los Angeles. Dias atrás, após quase um ano de negociações, outro contrato desrespeitoso me foi oferecido.

Apesar de ter dado um passo atrás, aidna estou de malas prontas para deixar os Estados Unidos e ir para a Inglaterra. Definitivamente quero tocar no disco e excursionar. Desde que a doença de Tony foi descoberta e a notícia da mudança da banda para o Reino Unido, fiquei em estado de alerta para viajar. Tentei descobrir o que estava acontecendo e descobri que estava sendo deixado para trás (não pela primeira vez, devo acrescentar). Tenho a impressão que, se não assinar aquele contrato, não saberei de nada.

Mesmo querendo participar, devo manter uma postura e não assinar algo com o qual não concorde. Se fizer isso, estarei perdendo direitos, dignidade e respeitabilidade como músico. Acredito na liberdade de expressão. Cresci em uma banda de Hard Rock/Metal, que tocava de coração, com honestidade e sinceridade. Me envolvo no espírito da integridade, longe de questões burocráticas. Sou real, honesto, justo e apaixonado pelo que faço.

Se acabar sendo substituído, ao menos poderei continuar vos encarando como fãs dedicados. Espero que não me responsabilizem se a reunião da formação original não acontecer como prometido. Sem nenhuma sensação de culpa, quero assegurar que minha lealdade ao Sabbath segue intacta. Essa é a minha verdade. Estou pronto para ir SE me oferecerem um contrato justo. Não quero desapontar ninguém. Será muito triste se algo não acontecer pelos desejos alheios.

Minha posição não é sustentada pela ganância. Não quero simplesmente mais dinheiro, como se fosse uma chantagem. Apenas quero reconhecimento ás minhas contribuições, incluindo a reunião de quatorze anos atrás. Depois daquela turnê jurei a mim mesmo que jamais assinaria um contrato que me prejudicasse. Quero respeito por mim e minha família. Algo que honre o que fiz pelo Sabbath desde o começo.

Essa é a história

Cuidem-se e sejam fortes

Amo todos vocês

–Bill Ward

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