Ben Kweller já crescidinho vem só ao Brasil

Estadão

01 de dezembro de 2012 | 17h00

Jotabê Medeiros

Em 2004, Ben Kweller escovava os dentes na capa de um disco, expressão nerdy no rosto, os cabelos encaracolados escapando pela touca, e atiçava a imaginação da emergente geração indie, se é que isso existe. Era um dos primeiros ídolos da trupe, surgido no caminho aberto por Beck. Falando ao Estado, naquele ano, ele espantou cantando “Onda onda onda, olha a onda!”, uma pérola da axé music que lhe tinha mostrado uma namorada que veio ao carnaval de Salvador.

Passados quase 10 anos, ele agora tem 31 anos, a namorada se tornou sua mulher e há dois filhos para levar à escola. Mas o indiezinho não perdeu a forma: continua fazendo canções melódicas de batida acústica e utopias ingênuas. O mais recente disco é Go Fly a Kite (de seu próprio selo, Noise Company), que o traz pela primeira vez ao Brasil.

Ben Kweller já excursionou abrindo shows dos Lemmonheads, Juliana Hatfield e a banda Wilco. Toca nesta quarta, às 21, no Sesc Vila Mariana. Também vai a Belém e Fortaleza (nessa cidade, o show de abertura será da francesa Maïa Vidal, que evoca o som de Keren Ann; nos outros concertos, a jovem revelação baiana Nana, de 22 anos, fará a abertura).

Você tem uma banda, mas está vindo sozinho. Por quê?

Não dava para ir com a banda, ficaria muito complicado e caro. Mas eu gosto de tocar assim, toco violão e piano e posso improvisar mais. A forma das canções fica mais livre. Não pense que é um show chatinho, como costumam ser os shows de um cara sozinho com um violão. Eu toco alto, eu dou preferência ao rock’n’roll quando toco acústico.

Tem uma canção no seu novo disco, Gossip, que lembra terrivelmente John Lennon. Você foi influenciado pelos Beatles?

Quando moleque, era minha banda favorita. Meu pai tinha todos os discos, tocava muito. Adoro as melodias de John Lennon, foram elas que me inspiraram a tocar música. Mas é aquela velha história: quanto mais você ouve, mais procura por você mesmo. Assim como Neil Young tentou ser Hank Williams, como Bob Dylan tentou ser Woody Guthrie. E se tornaram Neil Young e Dylan. Eu também amo Beck, cara. Principalmente aquela fase antiga dele, de Stereopathetic Soulmanure, aquela fase mais artesanal, mais folk. Mas não sou mais inspirado pelas mesmas pessoas que eu ouvia quando moleque, mas ainda se pode sentir a influência deles em mim.

Suas músicas parecem ingênuas às vezes, mas ouvindo com atenção se nota um bocado de sarcasmo nelas…

Hahahahahahaha. É verdade, eu concordo. Adoro duplos sentidos, sou fascinado por figuras de linguagem. Como toda arte, as melhores coisas são aquelas que podem ser ouvidas, lidas ou vistas de diferentes maneiras por diferentes pessoas. O fato é que, no meu caso, isso acaba se tornando uma espécie de ironia.

Você deu entrevista pra gente em 2004, e desde então nunca veio ao Brasil. O que aconteceu?

Nunca conhecemos nenhum promotor, não conheço a gente de negócios daí. Mas agora rolou esse convite e eu espero que venham outros, que eu consiga conhecer os caras que fazem os shows aí, para voltar com a banda.

Quando você faz um show acústico, é mais ou menos como aqueles caras da velha guarda, como Woody Guthrie, tocando em feiras agropecuárias?

Não, não é daquele jeito. Há muitos daqueles caras sozinhos com um violão que eu não gosto. Sei que pode ser chato aquela ladainha folk. Eu sou mais do rock, procuro uma expressão acústica do punk rock em meu show. Você vai gostar.

E você compõe quando está em turnê?

Sim. Geralmente componho mais quando estou muito longe, quando atravesso o mar. Muitas das canções desse disco, Go Fly a Kite, foram compostas durante uma turnê pela Austrália. Quem sabe eu não componha todo meu próximo disco aí no Brasil?

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