BellRays, a mistura de Aretha Franklin com AC/DC

Estadão

15 de fevereiro de 2011 | 08h32

Marcelo Moreira

Imagine o AC/DC tendo uma Aretha Franklin punk como vocalista. Ou Janis Joplin berrando em uma banda que misturasse MC5 e Stooges. Isso existe e está lançando seu mais novo álbum, “Black Lightining”.

Lisa Kekaula é a cantora negra mais heavy metal que já existiu. Ela é a alma da banda The BellRays, surgida na Califórnia, nos Estados Unidos, em 199o, mas que só começou a ter alguma repercussão no final dos anos 90, com a chega da cantora vulcânica.

A música é rock’n roll em estado puro, hora pendendo para o punk, hora caindo de cabeça em um soul deslavado e muito bem executado, hora resvalando no hard rock, emulando timbres de guitarra que remetem a AC/DC, Motorhead, Stooges, New York Dolls e Ramones. Completam o quarteto Bob Vennum (guitarra), Justin Andres (baixo) e Stefan Litrownik (bateria).

“Black Lightining” é o 13º álbum da banda – contando EPs com material inédito e coletâneas de sobras de estúdio. A produção está mais limpa, assim como a voz de Lisa está menos rasgada. Lembra um pouco os álbuns das bandas grunge do início dos anos 90: menos sujeira, timbragem um pouco mais limpa, mas nada de excessos.

A música-título abre o álbum e traz um rock bem mais comportando do que as pedradas hard contidas em “Grand Fury”, de 2000, mas as melodias são contagiantes.

Embora não haja mas aquela urgência punk do mesmo álbum citado, há excelentes ideias. “Hell on Earth” é classuda e remete ao hard rock setentista. “Sun Comes Down” deixa um pouco o hard rock de lado e investe em uma black music saborosa, ao melhor estilo Isaac Hayes e Tina Turner.

Capa de 'Black Lightning'

“Everybody Get Up” é outro destaque, um rock acelerado e poderoso que poderia estar na trilha sonora de qualquer filme sobre o rock dos anos 70, como “Almost Famous” (Quase Famosos). Faz um som que Juliette Lewis, com suas bandas, sempre quis fazer, quase conseguiu, mas que ainda persegue.

Com certeza é a melhor banda pouco conhecida do mundo. Ou a melhor banda injustiçada da atualidade. Lisa Kekaula dá uma aula de feeling e interpretação em cada música. Tem facilidade para ir da soul music mais rasgada ao proto-heavy metal que seus companheiros nerds tentam fazer.

É o tipo de som certo para uma tarde regada a cerveja, piscina e muito sol. Compre já.

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