Beady Eye: o imenso ego de Liam Gallagher

Estadão

26 de fevereiro de 2011 | 08h29

Jotabê Medeiros – O Estado de S.Paulo 

Eles viajavam em aviões diferentes e dormiam em hotéis diferentes. Em agosto de 2009, Liam e Noel Gallagher chegaram ao limite daquilo que tinha começado a azedar já em 1994, quando Liam bateu na cabeça de Noel com um tamborim, num dia em que estava chapadão.

Mas, como toda a agitação dos irmãos Gallagher parecia parte do mito, o Oasis também parecia que nunca ia acabar. Mas acabou. E o Beady Eye, a nova banda de Liam, é a prova científica disso – contém até uma mensagem que todo mundo jura que é destinada diretamente ao “ex”-irmão. Está num verso da balada marítima The Morning Son: “Você nunca saberá se não tentar/Você está cego por aquilo que você idolatra”.

Liam diz que pode de fato ser a única que faz referência a Noel, mas que o álbum inteiro é feito de canções “sobre alguém e sobre ninguém”. E diverte-se: “Vai ter gente batizando seus filhos de Beady Eye antes do final deste ano”.

Os integrantes do Beady Eye. Os integrantes do Beady Eye.Divulgação

Você acha desagradável quando alguém diz que as suas novas músicas parecem músicas do Oasis?

Não me perturba. Passei 20 anos no Oasis. Acho apenas que é perda de tempo de jornalistas e críticos, não é por aí. Tem muita coisa diferente, o álbum inteiro soa de diversas formas diferentes, são todas originais a seu modo. Mas eu sou o cantor, e eu era o cantor do Oasis. Não mudei meu estilo de cantar, então é natural que muita gente ache que tem a ver. Não nos importa a comparação, estamos focados na música, é a única coisa que nos importa.

Bom, também é possível ouvir influências dos Beatles aqui e ali. Por exemplo: The Beats Goes On parece muito uma balada que o John Lennon faria. 

Na minha opinião, soa mais como uma canção que os Kinks fariam, ou The Hollies. É o que eu tinha em mente quando compus. Acho que as pessoas sempre vão no que lhes parece mais óbvio, mas é muito mais que isso. 

Quando você iniciou a montagem do Beady Eyes, disse que queria voltar a cantar na maior banda de rock do mundo de novo.  

E eu estou nela. Temos aqui o melhor guitarrista, o melhor cantor, o melhor baixista, o melhor baterista. O Oasis sempre foi a maior banda de sua época, e agora é a hora do Beady Eyes. Eu estou cantando lindamente, minha voz voltou a estar no centro da gravação, e o resultado está aí. 

Como foi fazer um disco de estreia com o lendário produtor Steve Lillywhite?

 Fantástico. Nós fizemos as nossas escolhas, mas ele contribuiu com sua energia e experiência. E não ficou deitado em cima das canções, se masturbando. Não gosto de muita enrolação. Gravamos tudo em apenas seis semanas. 

Parece que a ideia foi buscar algo parecido com um som ao vivo, não?

 Exatamente. Essa sempre foi minha visão. Quero que tenha um pique de palco, e que as músicas tenham um sabor de rock clássico. Andy, Gem e eu somos como um time de futebol, entende? Nós jogamos juntos há muito tempo, e um já vai lá na frente para receber a bola, sabe o lugar que deve estar. 

Tem uma música no disco, Four Letter Word, que diz o seguinte: “Não sei o que estou sentindo/ Uma palavrinha de quatro letras define melhor meu espírito”. Você se refere à palavra “love” ou “fuck”?

 É uma canção romântica, cara! Tem um significado de afeto, mas pode colocar aí que é algo no meio do caminho entre “love” e “fuck”. Não virei um poeta de repente, cara. Não sou um cara de grandes versos, escrevo apenas sobre coisas que me perturbam ou me alegram e isso é tudo. Não tem a pretensão de entrar para uma academia. É rock, e o que tento é apenas cantar essas palavras com toda a energia que puder.

 A música Bring the Light tem um teclado acelerado, é um rock”n”roll à moda de Jerry Lee Lewis. 

Pode lembrar tudo de rock clássico. É assim que a gente soa, é o grande ponto de partida dessa banda.

Você acha que Standing on the Edge of the Noise pode ser definido como uma espécie de Helter Skelter de Liam Gallagher? 

Não. É Standing on the Edge do Beady Eye, igualmente uma música muito boa. Não estava com isso em mente.

Como vocês estão fazendo shows? É só um quarteto?

 Bom, a gente tem mais uns caras. Trazemos para o palco o Matt Jones, que é tecladista do Minuteman, e o Jeff Wootton, que é baixista do Black Marquee. Também tocou com a gente o guitarrista Miles Kane, que toca no Last Shadow Puppets. Cara, não vejo a hora de chegar com essa minha banda ao Rio de Janeiro!

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