Beach Boys e Girlschool, dois DVDs injustiçados

Estadão

20 de julho de 2013 | 07h43

Boas dicas dadas elo crítico musical Regis Tadeu, que escreve a coluna Na Mira do Regis, no Yahoo:

BEACH BOYS
Beach Boys 50 – Live in Concert (Universal)
80 minutos, inglês sem legendas, Dolby Digital 2.0, todas as regiões.
Foi no ano passado que alguns integrantes do lendário grupo americano resolveram fazer uma trégua temporária em suas eternas brigas e discussões para realizar alguns shows comemorativos dos 50 anos de existência da banda e, se possível, lançar um disco só com canções inéditas.

Esta “paz com dias contados” rendeu um álbum no mínimo interessante – That’s Why God Made the Radio – e uma turnê que está registrada neste bom DVD duplo. Nos shows, um incrivelmente “rejuvenescido” – se preferir, leia “menos lesado” – Brian Wilson aparece ao lado de seus desafetos Al Jardine e Mike Love, mais o velho Bruce Johnston, o guitarrista David Marks e um monte de músicos na banda de apoio. Tudo para tentar recriar o que fosse possível daqueles arranjos sensacionais que sempre estavam presentes nas canções dos Beach Boys.

Chega ser divertido ver os velhinhos tentando aparentar alguns sinais da juventude perdidas em algum lugar do passado em clássicos que jamais envelhecem, como “Californa Girls”, “Wouldn’t It Be Nice” e “I Get Around”. A execução das canções é bacana de um modo geral, embora no DVD não estejam todas as músicas do show, o que é algo a se lamentar nos dias de hoje.

No disco 2 há um documentário interessante, em que parte da história do grupo é contada nos dias atuais pelos integrantes, com a inclusão de algumas cenas antigas bem escolhidas e outras mais recentes, mostrando os caras durante a gravação do álbum de estúdio acima citado.

Boa pedida para quem quer apenas assistir a um show divertido…

GIRLSCHOOL
Live From the Canden Palace (ST2)
60 minutos, inglês sem legendas, Dolby Digital 2.0, região 0.
É um DVD indicado apenas para quem gosta muito desta banda feminina inglesa de heavy metal dos anos 80, meio que “irmã do Motörhead”, já que mostra uma apresentação do quarteto na fase em que tentavam diluir um pouco o seu som para entrar no mercado americano.

Claro que a estratégia foi um fracasso, pois além de não serem bonitas, elas não conseguiram tirar alguns resquícios da maravilhosa ‘sujeira tosca’ de seu som inicial, algo que os Estados Unidos não toleravam. O máximo que conseguiram nesta fase foi soar como uma versão um pouco mais ‘podreira’ das Runaways.

Gravado em 1984, quando as meninas estavam divulgando um disco muito ruim – Running Wild -, o show em questão tem o mérito de mostrar que até mesmo algumas canções que soaram extremamente polidas nos discos receberam um tratamento mais energético, como são os casos de “Play Dirty” e “Rock Me, Shock Me”.

A então vocalista Jackie Bodimead, embora fosse o protótipo estético do pavoroso “hair metal” que rolava naqueles tempos nos Estados Unidos, até que mandou bem nos vocais das canções antigas, como “Emergency” e “C’mon Let’s Go”. Enquanto a baterista Denise Duffort compensou o que lhe sempre lhe faltou em beleza com a força com que tocava seus tambores e pratos, a então novata guitarrista solo Chris Bonacci – que substituiu na ocasião a carismática Kelly Johnson – mandou muito bem, soando como uma versão feminina do Rick Derringer, principalmente no aspecto físico.

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