Barulho e muito peso na comemoração dos 30 anos dos Ratos de Porão

Estadão

29 de novembro de 2011 | 12h00

Marcelo Moreira

Tão relevante quanto a história dos Inocentes é a do Ratos de Porão, a verdadeira primeira banda de crossover do Brasil – mistura de punk com heavy metal. Asism como a banda de Clemente Nascimento, o quarteto liderado por João Gordo comemora 30 anos de criação e está comemorando em alto estilo.

No último dia 11 de novembro a banda realizou um lotado show na casa de shows Hangar 110, na zona norte de São Paulo, onde comemorou três décadas de fundação em um evento especial: quase todos os músicos que integraram o Ratos de Porão subiram ao palco para tocar ao menos uma música. Houve até banda de abertura – Conquest for Death, dos Estados Unidos, e a brasileira D.E.R.

Melhro ainda, houve a exibição do ótimo documentário “Guidable”, da Black Vomit, sobre a história rica e atribulada dos Ratos de Porão. E é claro que não faltou a justa homenagem ao músico Redson Pozzi, do Cólera, que morreu neste ano.

O desfile de clássicos foi uma grande porrada: “Beber até Morrer”, “No Junk”, “Tattoo Maniax”, “Morte e Desespero”, “Terra do Carnaval”, “S.O.S. País Falido”, “Escravo da TV”,  “Breaking All the Rules” (versão de uma música de Peter Frampton), “Atitude Zero”, “Guerra Civil Canibal”, “Periferia”, “Aids, Pop, Repressão”, “Engrenagem” e “Necrochorume”, entre outras.

Para quem ainda acha que a música pesada brasileira está morrendo, é só procurar os vídeos da histórica apresentação do Ratos de Porão no Hangar 110. Esqueça por alguns momentos essas histórias de integridade, lealdade, traição e outras grandes bobagens. A música foi o personagem principal e o motivo da grande celebração de 30 anos de verdadeiro punk rock no Brasil.

Mais do que comemorar três décadas de som barulhento e com atitude, o show do Ratos na verdade também celebrou a existência de uma cena que, se não pode mais ser comparada à da primeira metade dos anos 80, ao menos ainda consegue lotar uma casa de espetáculos em um evento grandioso, que também serviu de homenagem a grandes nomes como o Cólera de Redson Pozzi, Garotos Podres, Inocentes, Olho Seco e mais uma infinidade de bands punks brasileiras.

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