Bárbara Eugenia volta mais doce e mais pop

Estadão

07 de abril de 2013 | 13h30

Emanuel Bomfim – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Aconchegada em uma poltrona de avião, a pequena Bárbara teve suas primeiras epifanias musicais. Vinha nas fitas cassete preparadas pela mãe – uma forma de abreviar a longa viagem para visitar o pai nos EUA. Era só tocar aquele monte de Beatles no walkman para a menina explodir em sorrisos e lágrimas. “Eu chorava ouvindo Because desde os cinco anos de idade”, conta em entrevista ao Estado para falar sobre seu novo disco, É o que temos. Este olhar para um passado roqueiro é o que acende a válvula criativa da cantora, revelada ao mundo com o ótimo Journal de BAD, em 2010. Mas, diferente dos modismos estéticos de uma vulgarização do retrô, a carioca de olhos largos e beleza ímpar turbina sua nostalgia com uma personalidade original: Bárbara Eugenia quer ser pop.

 

Maior parte das gravações foi em SP, na Casa do Mancha, importante reduto da cena indie paulistana - Divulgação
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Maior parte das gravações foi em SP, na Casa do Mancha, importante reduto da cena indie paulistana

 

O charme da voz rouca, a doçura incontestável, são colocadas à prova num repertório quase todo autoral. As que fogem de seus versos francos são as versões de Porque Brigamos (Rossini Pinto/Neil Diamond), conhecida com Diana, e a leitura de Me Siento Solo, do francês Adanowsky. “O segundo disco dele mudou a minha. Vi que estava fazendo muita coisa errada, estava distante da minha essência hippie”, brinca. “Hippie e independente”, frisa. Bárbara até tinha as canções moldadas em sua cabeça e no violão, só não sabia como e onde gravar. Quando estreou, ela bancou todos os custos de gravação e lançamento. Dessa vez, o ofício de tradutora não seria suficiente para garantir o segundo ato. O jeito foi recorrer aos múltiplos e concorridos editais. A sorte lhe bateu no festival Música Pra Todo Mundo, projeto da Oi voltado para novos nomes. “Foram quatro artistas que passaram, com orçamento super apertado de grana. Eu não recebi nada. Abri mão de ganhar algum dinheiro para pagar todo mundo direito”, afirma.

A maior parte das gravações foi em São Paulo, na Casa do Mancha, importante reduto da cena indie paulistana. A produção ficou a cargo de Clayton Martin, baterista de sua banda, e do guitarrista Edgar Scandurra, parceiro e amigo desde os primeiros passos de Bárbara na capital paulista. “Acho que ela se sentiu segura em ter com ela pessoas com quem confiasse musicalmente. E eu fico muito grato com isso”, diz Edgar, para depois explicar o conceito que norteou a produção: “Queríamos que fosse um disco despretensioso sem perder a elegância.” É o que Temos tem um primeiro lançamento virtual no dia 8 de abril. Nas lojas, fisicamente, chega em maio.

Num dos raros momentos de indignação, Bárbara Eugenia faz questão de afastar o rótulo “fossa” que andou perseguindo sua fama. “Quer entender minha música? Tem que prestar atenção nas letras. Não tem fossa nenhuma! A vida é o que me interessa.”

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