Bandas bizarras de rock: Apocalyptica e Van Canto

Estadão

09 de outubro de 2010 | 22h39

Marcelo Moreira

Os projetos bizarros de maior sucesso no rock atual remetem diretamente à música erudita e à música sacra. Apocalyptica e Van Canto são tão estranhos, tão diferentes, que se tornam muito legais, por mais estranheza que causem nos ouvintes desavisados.

O Apocalyptica é uma banda finlandesa formada por três exímios violoncelistas e, desde 2005, um baterista. Tem como especialidade o ‘cello metal’ (heavy metal tocado por violoncelos), tocando também música clássica. Os três violoncelistas têm origem na conceituada Academia Sibelius, em Helsinque, onde se conheceram e, em 1993, se juntaram para fazer, por diversão, arranjos com violoncelos.

Seu mais novo trabalho é “7th Symphony”, o sétimo de estúdio da banda. O esquema é o mesmo dos álbuns anteriores, com composições próprias agora com mais vocais. A diferença maior, entretanto, é na produção caprichada, que conseguiu captar os instrumentos de forma muito mais clara e limpa.

A banda convocou Gavin Rossdale, vocalista da banda Bush, para fazer os vocais da música End of Me. A faixa, escolhida como o primeiro single de “7th Symphony”, ganhou clipe gravado em Los Angeles em uma locação grandiosa com figurinos pretos, fumaça e efeitos de pós-produção.

O Apocalyptica foi criado por Eicca Toppinen, Paavo Lötjönen, Max Lilja e Antero Manninen, que se reuniram para fazer versões de Metallica e em 1996 lançaram o seu primeiro álbum “Plays Metallica by Four Cellos”, só com versões de músicas do Metallica.

Em 1998, lançaram o seu segundo álbum, “Inquisition Symphony”, que, novamente, contém versões do Metallica, mas também músicas de Faith No More, Sepultura e Pantera, além de três composições de Eicca Toppinen.

Dois anos depois, a banda finlandesa lançou o terceiro álbum, “Cult”, contendo dez músicas originais e três versões. Em seguida vieram “Reflections” (2003), “Apocalyptica” (2005) e “Worlds Collide (2007)”. A formação atual conta hoje com Eicca Toppinen , Paavo Lötjönen e Perttu Kivilaakso nos violoncelos, Mikko Sirén na bateria e Toryn Green como vocalista ocasional.

O Van Canto, grupo alemão, é um grupo vocal impressionante pela qualidade dos vocalistas. Acabam de lançar o novo álbum, o terceiro, chamado “Tribe of Force”. Todos os integrantes são formados em escolas de música erudita, com passagens por corais importantes e estudos de música sacra.

Aposta em fazer heavy metal foi arriscada: enquanto há vocais propriamente ditos, os vocalistas simulam ou emulam na voz os instrumentos “normais”, como guitarras, teclados, bateria e baixo.

Com pretensão pouca é bobagem, acreditam que criaram um estilo, o “hero-metal a cappella”. Os vocalistas são Philip Dennis Schunke “Sly” e Inga Scharf, que cantam da maneira convencional.

Os outros três cantam riffs de guitarra e linhas de baixo – Stefan Schmidt “Stef”, Ross Thompson e Ingo Sterzinger, conhecido como Ike e que nasceu no Brasil. Bastian Emig toca uma bateria de verdade. Amplificadores ajudam os músicos a cantarem com distorções que aproximam suas vozes aos sons de uma guitarra.

Além de “Tribe of Force”, já gravaram “A Storm to Come” (2006) e “Hero” (2008). Dispa-se de seus preconceitos e tente apreciar os novos trabalhos das duas bandas. É muito diferente, causa estranheza, mas é de extremo boim gosto e de alta qualidade.

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