Banda Tomada resgata o peso e a psicodelia setentistas

Estadão

19 de setembro de 2011 | 17h00

Marcelo Moreira

A banda Carro Bomba ganhou um concorrente de peso na disputa do melhor álbum brasileiro de rock cantado em português neste ano. “O Inevitável” é o mais novo álbum da banda Tomada, de São Paulo, e mostra que antes de tudo o peso é fundamental para se distanciar de tudo o que lembre o atual pop rock do país, – se é que isso ainda existe.

O rock básico dos anos 60 e 70 é a matéria-prima do terceiro trabalho do grupo, que completa 11 anos de carreira em dezembro. Não espere algo heavy metal na cara como “Carcaça”, do Carro Bomba. A pegada de “O Inevitável” é mais hard e mais datada, no bom sentido.

Puxado pela ótima “Ela Não Tem Medo”, que virou um clipe bem feito e bem sacado, o álbum transita entre o mergulho fundo na psicodelia e rápidas passadas por soul e blues, sempre tendo a levada de guitarra de Marcião Fernandes como o fio condutor. E aqui não há outro jeito a não ser repetir: não há nada parecido no pop rock brasileiro da atualidade.

Os arranjos são outro destaque do trabalho. Nada fica fora do lugar, tudo foi pensado exatamente para dar uma sonoridade moderna a temas que pedem acentos característicos de outras eras, com resultado surpreendente.
“Ela Não Tem Medo” tem uma letra bem humorada e um ritmo rápido e marcante. “(Quero Ter) Uma Música Forte” também é rápida e mais pesada que o restante, mostrando diversas influências de um rock setentista mais pesado.

“Catarina” e “Blá Blá Blá, Blá Blá Blá” são rocks básicos e cativantes, resgatando um pouco da atmosfera de certa ingenuidade da primeira metade dos anos 60 – e remetendo, de certa forma, aos primórdios da Jovem Guarda.

Já “Calor de Abril” é a que mais se parece com o que é feito atualmente no Brasil, o que erroneamente pode levar o ouvinte a colocar a Tomada em uma seara onde transitam bandas queridinhas do cenário alternativo, como Cachorro Grande e Vanguart. Não se engane: Tomada é rock’n roll dos bons e consegue oxigenar um segmento engessado e estagnado, com trabalhos voltados cada vez mais para um pop forçado e de baixa qualidade.

 

A formação atual conta com Ricardo Alpendre (voz), Pepe Bueno (baixo), Alexandre Marciano (bateria), Marcião Gonçalves (guitarra) e Lennon Fernandes (guitarra e teclados).

Cometeram um trabalho de ótimo nível, que conseguiu se destacar da mesmice que domina o pop rock brasileiro desde a década passada. “O Inevitável” é o álbum mais maduro e coeso da carreira do grupo e coloca a Tomada em um patamar habitado pelas melhores bandas de rock brasileiras que cantam e português – e que cada vez mais dão destaque às guitaras.

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