Baixarias confirmadas na saída de Geoff tate do Queensryche

Estadão

12 Julho 2012 | 06h59

Marcelo Moreira

Uma das grandes bandas de heavy metal dos Estados Unidos está se desintegrando em público, e da pior forma possível. Geoff Tate foi sumariamente afastado do Queensryche no final de junho devido a uma série de brigas e desentendimentos comerciais com os demais integrantes. Logo em seguida, em uma entrevista ao site Billboard.com, o guitarrista Michael Wilton confirmou que Todd La Torre era o novo cantor da banda.

Dois dias depois, Tate deu uma entrevista ao mesmo site dizendo que tinha sido “traído” pelos companheiros e que ele era o principal membro do Queensryche, já que tinha composto 81% do material gravado pela banda desde 1984.

O baterista Scott Rockenfield contou à revista Billboard que os problemas com o vocalista vinham desde meados do ano passado, com desavenças e discussões a respeito do futuro da banda. Rockenfield usou o eufemismo “divergências criativas” para comentar o progressivo afastamento entre a banda o cantor, mas se recusou a dar mais detalhes.

O fato é que as tais “divergências” ficaram evidentes na última passagem pelo Brasil da banda, há pouco mais de dois meses. Na passagem de som em São Paulo, do nada Tate invadiu o palco e agrediu o guitarrista Michael Wilton quando este afinava seus instrumentos, segundo testemunhas.

Em seguida, teria investido contra Rockenfield com uma faca enquanto o baterista montava seu equipamento. O motivo: Tate teria escutado uma conversa entre o restante da banda sobre como proceder a substiuição do vocalista.

Apesar dos desmentidos pouco convincentes da banda, as informações foram mantidas e repercutiram no mundo inteiro, graças ao excelente trabalho jornalístico realizado pelo blog brasileiro Collector’s Room, o primeiro a noticiar com certos detalhes a confusão em São Paulo.

O site da revista brasileira Roadie Crew publicou a tradução de um resumo do depoimento do guitarrista Michael Wilton no processo judicial entre Tate e a banda sobre os direitos do nome Queensryche.

As informações são escabrosas e finalmente ele confirma que houve as agressões no palco pouco antes do show de São Paulo – reforçando o bom trabalho de investigação do Collector’s Room. Leia aqui o resumo traduzido pelo site da Roadie Crew.

Rockenfield publicou uma carta em sua página no Facebook e na página oficial do Queensryche dando a sua versão dos fatos, praticamente corroborando o depoimento de Wilton à Justiça norte-americana. Leia aqui a longa carta escrita pelo baterista e traduzida pelo ótimo site brasileiro Whiplash.

Pouco mais de um mês depois da briga feia em São Paulo, durante uma apresentação na Europa, Tate comentou entre uma das músicas que as coisas “estavam difíceis e que provavelmente aquele show seria o último da banda”. Tal fato não se confirmou, pois aquela parte da turnê foi concluída.

 Todd La Torre, o novo cantor, é membro da banda norte-americana Crimson Glory. Além disso, formou com Wilton, 
Rockenfield e o guitarrista Parker Lundgren, os remascentes do Queensryche,  o projeto Rising West, uma espécie de tributo ao próprio Queensryche tocando apenas no material dos cinco primeiros registros de estúdio da banda.

“Com o passar dos últimos meses, as diferenças criativas cresceram muito. Queremos que nossos fãs saibam que esperávamos encontrar uma resolução em comum, mas no final nos separarmos de Geoff foi a melhor solução para que todos possamos seguir em frente de uma maneira positiva. Desejamos a ele o melhor em seus futuros trabalhos e queremos logo nos apresentar com Todd”, afirmou Rockenfield ao site da Billboard norte-americana.

 O último álbum da banda, “Dedicated to Caos”, de 2010, não teve bom desempenho de vendas e foi muito criticado por dãs e jornalistas por conta do direcionamento musical bastante diferente do memtal progressivo de qualidade dos anos 80. O que mais irritou os fãs foram os excessos de efeitos eletrônicos, aliados a composições fracas e pouca inspiração na gravação dos novos temas.

No mês passado, uma das filhas do vocalista, Miranda, publicou no Facebook defendendo o pai diante do que chamou de “injustiças cometidas em relação a sua carreira ” e enumerando os fatos que comprovariam a “enorme importância dele para o Queensryche”. Já Todd La Torre escreveu no Facebook que continua membro do Crimson Glory e que não terá problemas em conciliar as duas bandas.

Imagem

Foto promocional do projeto Rising West – Divulgação

Mais conteúdo sobre:

Geoff TateQueensryche