Bad Religion volta melhor e mais agressivo

Estadão

28 de setembro de 2010 | 16h31

Marcelo Moreira

Nada mais anacrônico do que banda punk engajada. Esse é o primeiro pensamento que vem à cabeça quando se fala em Bad Religion, quinteto norte-americano que virou referência no gênero após a decadência das bandas dos anos 80 e o fim dos Ramones em 1996.

Puro preconceito. Bad Religion faz música boa, de qualidade – bem diferente da maioria das banda do gênero. Em vez de sofisticar arranjos (como Clash), de abraçar o pop (como fizeram Offspring e Green Day) ou de mergulhar no hardcore (como Agnostic Front e Madball), o grupo preferiu manter a veia do punk californiano, que mistura a veia 77 inglesa com o anarquismo do Dead Kennedys.

“Dissent of Man” é o novo trabalho do Bad Religion após três anos de silêncio. Algumas pequenas turnês não foram suficientes para chamar a atenção em tempos de música digital e bandas punk emo artificiais. Foi para o vocalista Greg Graffin, doutor em biologia, aprofundar seus estudos e aumentar o número de aulas em universidades.

Com produção do norte-americano Joe Barresi (Queens of the Stone Age, L7, Weezer, Tool, Hole, Monster Magnet, Anthrax entre outros), é o décimo quinto álbum de estúdio e traz músicas melhores e mais agressivas do que as registradas em “New Maps of Hell”, de 2007.

A sequência inicial de “Dissent of Man” já vale o CD: “The Day That the Earth Stalled”, “Only Rain” e “The Resist Stance” , bem rápidas e até surpreendentemente pesadas. A capa, entretanto, decepcionou, apesar do conceito tosco que sempre é aplicado nos trabalhos gráficos do grupo.

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