Backstage comemora 25 anos de persistência e resistência – parte 5 – final

Estadão

05 de maio de 2013 | 22h00

do site Wikimetal

W (DD): E não foi com o Electric Funeral, mas você se apresentou no Hammersmith de Londres?

VB: Pois é, isso foi em março de 95.

W (DD): Conta essa história aí?

VB: Foi solo, foi unplugged?

W (NM): Um acapella?

W (DD): Como foi isso Vitão?

VB: Eu estava lá, primeira vez que eu tinha ido para Londres, um dos primeiros lugares que você quer ir é atravessar as faixas do Abbey Road e conhecer o Hammersmith. E lá fomos nós. Eu lembro que era um domingo a tarde, 5 horas da tarde e estava tudo aceso, falei “meu! teve show aqui? Não é possível?” E não estava tendo show. Em cartaz estava aquele espetáculo River Dance que estava ocupando o teatro por um bom tempo, ficaram lá por uns 4 anos, não estava tendo show. Quando entrei, vi que tinha um monte de negão grandão tocando, cantando música gospel, cheguei pro segurança “Que que é” “É uma igreja da região, eles alugam”. “Posso entrar?” “Pode”. Meu era o único branco eu e meu amigo, só negão cantando. Um cara com um puta de um Hammond no palco, puta som. Falei “até isso os caras são bons né?” Acabou o culto, todo mundo começou a sair e nós lá filmando. Eu tenho filmado, luzes acesas deu para filmar tudo. Ai chegamos para o mesmo repórter, um tal de Michael. “Michael a gente é do Brasil e queríamos fazer uma reportagem sobre o Hammersmith” ele “Come with me”. Subimos no balcão, olhamos, ele começou a entrar em uns lugares e perguntei onde estava levando a gente? “Backstage”. Fomos em todos os camarins, embaixo do palco e tem tudo isso filmado e de repente estávamos no palco e já tava vazio e tudo iluminado. Falei “Luizão, pega isso ai” Luizão que era do Hammerhead, Luiz Cesar. Subi lá e comecei “Lata d´agua na cabeça, lá vai Maria” ele “Não tem outra bosta para cantar não?” eu falei “O que me veio na cabeça agora”.

W (DD): Único brasileiro que cantou samba no Hammersmith.

VB: E fiquei dois minutos, falei? “Bicho? Cara?” Never Say Die, aquele DVD foi gravado aqui. Whitesnake?

W (DD): Queen, Iron Maiden.

W (NM): Live in the Heart of the City foi gravado lá.

W (DD): Cinco músicas do Live After Death, para mim o melhor disco ao vivo do Iron Maiden, cinco músicas são de lá.

VB: Seven Gates of Hell do Venon, ou seja, quem não cantou no Hammersmith? Mais fácil fazer essa pergunta. O Elvis! Nunca foi para Inglaterra, nunca foi para Europa ele só foi para o Canadá, não saia, tinha pavor de avião. Então ali no Hammersmith quem não tocou? O Elvis.

W (DD): Porque o Vitão? Cantou.

VB: Eu fui, véio. Depois sai lá e fiz de brincadeira. Falei “Meu você acabou de se apresentar no Hammersmith, cara?” Tava tudo aceso como se tivesse tendo um show (cara tava varrendo isso e aquilo) e você fez um show e falei “Porra é mesmo!”.

W (RM): Vitão se você pudesse escolher uma mulher rockeira, uma mulher Metal, a mais importante, quem você acha?

VB: Eu gosto muito da Doro, acho que a Doro é simples para caramba, uma mulher trabalhadora, conversei com ela. Ela rala até hoje, é uma senhora de 50 anos de idade, deve ter 49, 48 e continua gostosa inclusive, ainda rende um caldo, caldo branco.

W (RM): Você acha isso Nando?

W (NM): A Doro? A Doro é uma artista maravilhosa.

VB: Ela batalhou, mora nos EUA, recentemente o furacão levou a casa dela embora, ela sempre foi batalhadora para caramba.

W (DD): Ela gravou um DVD muito legal agora recentemente 25 anos de carreira.

VB: DVD com um monte de gente, Scorpions. Ela ficou mal, não acreditava. Scorpions comigo? Aquele sotaque dela. O Rob Halford não é a rainha do Metal? Acho que é a Doro. Entre tantas outras, Floor Jansen que esta no Nigthwish hoje que é uma ótima voz. A Tara já é mais lírica, acho que ainda não existe aquele lado Metal nela. A Doro é a mais “true” de todas.

W (DD): Para fecharmos a viagem musical queria que escolhesse uma música mais atual dos anos 2000 para cá.

VB: É mesmo? Jura? Kill Devil Hill, Strange

W (NM): A gente sempre pergunta isso para os nossos convidados que normalmente são músicos, artistas, mas nesse caso você como comunicador. Qual conselho você daria, inclusive para gente, pessoas que estão interessadas em divulgar e difundir o Heavy Metal?

VB: Trabalhe! Nada é fácil. Eu consegui me manter, só com o meu trabalho, de 93 para cá. É um puta tempo. De 88 até 93 eu tinha meu trabalho e até o momento que cheguei e falei “agora ou vai ou racha”, era casado tinha 2 filhos pequenos e abandonei um trabalho. Eu era gerente operacional de uma transportadora e cheguei lá e falei “tô saindo fora” para que? “para me dedicar a um negócio que acredito”. Tem que acreditar e ralar em cima da sua crença, nada aparece por acaso. Você tem que batalhar. Ah tive sorte? Tive sorte de talvez ter sido corajoso de chegar nesse ponto e dar um bico para trás e falar é daqui para frente. Só temos que nos arrepender daquilo que não faz. Eu tinha um risco muito maior, tinha filhos, tinha que ter comida em casa, não morava com pai, com mãe, nada disso. Então foi aquele negocio que falei “eu vou, e vou” e deu certo graças a Deus nunca tive nenhum tipo de problema que fizesse me levar ao arrependimento. Problema financeiro todo mundo tem, altas do mercado, baixas, eu graças a Deus consegui me manter e me mantenho muito bem trabalhando, mas tem que trabalhar muito.

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