Backstage comemora 25 anos de persistência e resistência – parte 4

Estadão

05 de maio de 2013 | 15h00

do site Wikimetal

 

 

W (DD): E pegando esse gancho, de MP3, CD, eu concordo com você. Não tem nada como vinil, CD, essas coisas, pegar, abrir o encarte, ler os agradecimentos, aquela coisa que só os fãs mesmo fazem. E você tem uma coleção fantástica de vinil, CD, DVD e tal. Eu queria que você falasse um pouco, que outras coisas, não sei, camisetas, que outros artigos, fala alguma coisa interessante que você tem na sua casa?

VB: Camiseta de turnê, as gringas, eu tenho lá, não vou jogar fora, não vou fazer pano de prato, pano de chão. Eu tenho algumas camisetas, acho que umas 30, 40 camisetas de turnê que eu assisti lá fora. Algumas que eu comprei aqui, mas que são importadas, coisas bem legais, com destaque aquela que o Tony Iommi mandou pelo correio do Born Again, a história é maravilhosa. Em 95, estava na Forbidden Tour, assisti ele no Manchester Apollo e na hora estávamos conversando e ele me deu uma caveira promocional, na entrada da minha chácara tem essa caveirinha, a noite ela ilumina, tem na bateria também, ele me deu duas e me deu duas camisas da Forbidden Tour. Falei que tinha varias camisetas de turnê, mas uma que eu quero não tenho, ele perguntou qual? “do Born Again”, ele fez “uhh”.

W (NM): É uma azul clara?

VB: Não, é preta com o demoninho. Ele falou “olha, eu tenho em casa, um monte, que quando a companhia fazia mandava para gente, não tem nem as datas atrás, eles mandam pra ver se tá legal isso e aquilo…Eu tenho um fardo na minha casa” pediu meu endereço e mandou, cara… Essa camiseta está enquadrada, eu mandei fazer um belo de um quadro com Born Again em cima autografado por eles, inclusive pelo Bill Ward, foi a prestação né? Veio o Gillan primeiro. E mandou meu, para mim a camiseta. Tenho fotos minhas por ai com ela, mas depois que eu vi que o diabinho começou a ficar meio torto, falei “vou enquadrar”. Tem também Tour books, tenho vários. Gosto de Box, aquelas versões digipack que tem no Japão. Só do Born Again tenho 6, 7: Digipack alemão, digipack japonês, o pirata da época.

W (DD): Agora o Nando vai pedir para você escolher uma música, mas só para pegar o gancho e nossos WikBrothers ficarem ligados e ouvirem o programa até o final, porque no final vai ter uma promoção que tem a ver um pouco com isso, com Black Sabbath, com digipack, com essas coisas.

W (NM): Anos 90 Vitão. Qual som que melhor representa essa década tão peculiar na história do rock?

VB: Década transitória, né? Cara, nos anos 90 tem um álbum que eu acho simplesmente fantástico que é o PainKiller do Judas Priest, mas não vamos tocar PainKiller, vamos tocar Hell Patrol.

W (DD): Essa foi a Hell Patrol do Painkiller. Rafinha, talvez você se lembre, eu acho que Painkiller é o disco mais tocado aqui na história.

W (RM): É, eu acho. Vitão, o apoio que o público dava nos anos 80 para as bandas, que era muito, eram todos muito fervorosos… O que você acha que mudou para o público de hoje?

VB: Eu acho que existe ainda o apoio para bandas novas, mas acho que existe também muita molecada, graças a Deus inclusive, que está procurando saber as coisas antigas. Isso a internet ajudou demais também, porque fica mais fácil “Meu tio falou de um tal de Grand Funk”. O que é o Grand Funk, será que é funk carioca? Alguma coisa funk? Um funkão? O cara vê lá que é uma música que toca sempre na Kiss, ou na American Band ou Footstompin’ Music, isso é legal, ai o cara baixa o CD “isso é mais legal ainda”, “olha o som desse baixo com distorcedor”. Então acho que a internet ajudou essa molecada, que não tem o poder aquisitivo tão legal a navegar para trás e descobrir muitas bandas legais. Um moleque falou “eu tenho 16 anos e queria ouvir Armagedom no seu programa. “Armagedom véio?” Caramba? Dust?

W (DD): Estávamos falando antes de começar a gravar que voltar no tempo musicalmente é avançar né?

VB: Totalmente, não é regredir não, voltar é você estar parado no tempo! Graças a Deus, se for essa conotação? Graças a Deus, eu quero ficar parado aqui. Por que? Não que a coisa atual não esteja legal, mas acho que a essência de gravar um disco é diferente, hoje o cara grava um disco no banheiro se ele quiser, não existe mais aquele negocio “acertei a hora da bateria”, seleciona, deleta e tchau, meu era “faz de novo”.

W (NM): Os primeiros discos do Queen eram tudo ao vivo, direto, vocal, não tinha overdub nada.

VB: E depois dava uma consertadinha aqui, uma “maquiadinha” ali.

W (NM): Tinha que cortar a fita na mão né?

VB: É e colocar aquele “plastiquinho”.

W (DD): Vamos falar agora de uma banda que já tem 25 anos de carreira: Electric Funeral. Hoje tem uma formação que dá para falar “meio estrelas do Metal”. A gente tem Carro Bomba, Baranga, King Burn, muito legal, mas também já passaram nomes tipo Andreas Kisser, Helcio que você já citou, Andria Busic, Tigueis. Fala um pouco sobre toda essa história?

VB: Começamos eu e o Helcio a fazer o Electric Funeral, eu lembro que a gente não tinha nem nome. Estávamos na 97 e íamos fazer o primeiro show no Black Jack e o Kid Vinil tava fazendo “Meu, qual o nome da banda?”eu falei “puta nome?” Vocês não vão falar que são Black Sabbath, né? “Electric Funeral”, foi assim, na hora e Electric Funeral ficou e depois era o Chris Skerpis que era o vocalista e o Renê Seabra, essa foi a primeira formação. Depois teve o Rogério Fernandes duas vezes, foi voltou, foi voltou. Teve o Andria.

W (DD): Nossa, uma linhagem de baixistas, hein?

W (NM): Mas também, para fazer Geezer Butler tem que ser bom né?

VB: Todos, tenho muito respeito, ainda cruzo com os caras, a gente pretende em novembro do ano que vem fazer uma bela de uma festa com todas as pessoas que tocaram no Electric Funeral, a não ser um que era um casca do caramba, não vou nem citar nomes, mas só um. Até que tá bom, deixa ele.

W (DD): Ele teve umas 12 formações? 15 formações?

VB: Ah sim, é verdade e o Andreas foi engraçado porque o Carro Bomba ia gravar o primeiro disco e eu lembro que o Schevano chegou pra gente, depois daquele show que gente abriu para o Wasp na via Funchal, ele falou “meu esse é o ultimo comigo, vou ter que gravar um disco, vou precisar tocar com The Noni Brothers, que fazia cover para levantar uma grana, legal. E o Andreas tinha dado uma canja, imagina o Andreas dando uma canja? E falou “pô, o cara vai sair da banda?” falei “vai” “pô meu” falei “Que foi alemão?” “Ô Vitão, me chama ai? Vamos fazer a parada?” falei “Pô meu, você bebeu o que? “Pô Vitão, vamo ai caramba” Foi assim, se convidou. E a gente fez, mas ele teve que sair porque compromisso? Ele foi meio tirado, ficou até meio puto. “Pô Andreas? Quatro shows tentei marcar você não pode” e foi na mesma época que o Schevano ficou a disposição.

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