Backstage comemora 25 anos de persistência e resistência – parte 3

Estadão

05 de maio de 2013 | 08h00

do site Wikimetal

W (DD): Você já fez centenas de entrevistas, com heróis nossos do Heavy Metal, qual é aquela que vem na sua cabeça em primeiro lugar quando você pensa em tudo que já fez, em todo mundo que já falou, a primeira. Qual que vem?

VB: Ritchie Blackmore. Foi a que me deu mais suador, todos nós sabemos da personalidade do Blackmore, às vezes ele tá legal, ele não é bipolar, ele é tripolar, né, o cara. Então na hora que pintou a oportunidade de fazer isso em 96 aqui no Brasil, no show do Rainbow, ele já tinha dado um cano na MTV, eu lembro que eu cruzei o Gastão no Olímpia puto da vida . “Trouxemos toda a equipe aqui e o cara foi embora para o hotel”, e eu tinha uma entrevista agendada com ele também, falei “Pô rodei, já era”. Aí o tal do Robert que era o assessor dele falou assim: “Olha ele vai te atender no hotel”. E eu: “Por quê”? Porque ele não gosta da MTV. Aí acabou o show, fomos para o hotel Della Volpe aqui pertinho, ele recebeu a gente em uma suíte, estava ele e mulher dele que é a Candice Night, que está no Blackmore’s Night, eles estavam começando a mexer no Blackmore’s Night, ficou eu e o Regis Tadeu fazendo a entrevista, foi um suador, mas foi legal, a gente tinha 30 minutos e ficamos 1 hora e pouco conversando com ele e ele foi superlegal, é só não falar do Ian Gillan – querem cutucar o cara aí ele da voadora -, mas foi o Ritchie Blackmore. Entre outras foi o Rick Wakeman, foi maravilhoso, ele é um cara que para a entrevista pra contar piada, ele é muito legal.

W (NM): E de tudo que você fez na sua vida, qual foi a situação que te deixou mais orgulhoso?

VB: Tocar com o Glenn Hughes no Black Jack. Hoje é normal, os caras vem de fora, mas naquela época não existia isso, levei o Glenn Hughes lá e ele disse “e se eu quiser tocar?” Ai eu falei “já armei tudo”. Ele veio fazer uma promo trip na época do From Now One, acertei com a Roadrunner aqui no Brasil, era o Jerome, foi um dos primeiros locutores aqui e aí falaram que ele queria ir em um bar e eu disse que estava tudo armado. Isso, inclusive tem no youtube . Entrevistar o David Coverdale na Inglaterra foi legal, por causa que ia ser a festa de aniversário da 89, ia ter Megadeth, Queensryche e Whitesnake no Parque Antárctica e a 89 deixou bem claro que ninguém de outras rádios iria entrevistar o David Coverdale. Eu peguei o avião, fui entrevistar ele e botei no ar antes. Detalhe, a 89 não conseguiu entrevistar ele, nem com ele aqui.

W (NM): Você lembra o que tocaram com o Glenn Hughes na época?

VB: Lembro.

W (NM): Quem tocou também?

VB: O Paulão do Golpe de Estado tocou Burn, eu toquei Smoke on the Water, You Keep on Moving, toquei aquela The Boys Can Sing The Blues do álbum Blues dele e Why Don´t Stay, alguma coisa assim, do álbum From Now On.

W (NM): E quem mais tocou?

VB: Bolinha, que era do Nocaute.

W (NM): Ele no baixo e vocal?

VB: Isso, o Juninho guitarrista do Nocaute também…

W (NM): Que também tocava todas, Deep Purple, Whitesnake…

VB:Isso, o Fernando Piu na guitarra.

W (RM): Vitão, qual as vantagens e desvantagens dessa facilidade que a gente tem de conseguir música hoje em dia?

VB: Tem pouca graça, eu estava conversando com o Nandão lá fora, a gente ainda curte comprar um CD, deixar o saldo bancário laranja, não vermelho.

W (NM): Antigamente era vermelho.

VB: Hoje em dia a gente ta um pouquinho melhor né? Mas eu gosto. Hoje mesmo comprei o Monster do
Kiss, olha que legal. Fui lá na Livraria Cultura “olha que lindo”, fui lá e comprei. Quando vou na galeria, saio com 6, 7, 8, 10 CDs, 4 DVDs, eu ainda sou um consumidor à moda antiga. Às vezes eu baixo alguma música, quando me pedem para gravar a chamada de um show que vai ter e eu não tenho o disco lá, aí baixo, mas não para queimar o CD e ouvir no carro, eu não faço isso, eu gosto de ter os meus cdzinhos ali, gosto de ter os meus vinis ainda. É uma cultura que muita gente está voltando a ter inclusive, mas muita gente se desfez de muita coisa, inclusive eu. Na época do CD eu vendi bastante vinil, só ficaram os autografados, porque eu acho que o vinil é legal para autografar, cabe dedicatória, um monte de coisa.

W (NM): No pen drive que você não vai pedir um autografo né?

VB: Pois é, assina meu pen drive?

W (DD): Vitão, o papo tá muito legal, a gente vai fazer uma paradinha agora para fazer um dos quadros. A gente sempre conversa com os nossos WikiBrothers e eu vou pedir para você chamar esse quadro para a gente.

VB: Olha, vocês vão ouvir agora no Wikimetal o Papo Pesado, com os ouvintes que são mais pesados ainda.

W (NM): Vitão, a gente tem um projeto junto com um jornalista chamado Luiz Cesar Pimentel, que a gente tá querendo contar a história do Heavy Metal no Brasil através de um livro, na verdade esse livro vai ser colaborativo, as pessoas vão mandar seus comentários, mandar seus textos e ao longo do tempo a gente vai reeditando os capítulos.

W (DD): É um livro vivo que à medida que vai aparecendo mais histórias a gente vai reeditando, já tem 3 capítulos escritos, o começo, lá atrás, quando começou o movimento. E aí?

W (NM): E aí, você faz parte dessa história.

VB: Eu falo logo de cara, se não me chamar leva uma porrada. Tenho que participar disso aí cara, a gente tem uma parcela grande, 25 anos praticamente, porra 24 anos.

W (NM): 25 anos trabalhando, mas vivendo o rock, o Metal, como você falou “antes de existir o Metal”.

VB: Eu fui assistir Alice Cooper no Brasil, em 74.

W (DD): O primeiro show de Metal, né? Aqui.

VB: eu tinha 13 anos, no Anhembi, eu entrei na porrada e sai na porrada, você não entrava lá, me entraram.

W (DD): A gente entrevistou alguém que contou essa história. Que foi uma confusão para entrar.

VB: Tinha 50 mil pessoas para entrar em 2 portões. Fiquei estampado em um portão durante uns 15 minutos, até que eu caí porque ninguém estava mais me estampando. Me perdi de um primo meu, eu tinha 13 anos. Eu vi o Som Nosso de Cada Dia abrindo o show cara, falei “caralho”, aquilo já tinha sido ótimo, imagina o Alice Cooper depois? Foi foda.

W (DD): Então a gente conta com você para ajudar a compor a História do Metal, hein?

VB: Com certeza.

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