B Negão em pele de punk

Estadão

15 Setembro 2013 | 12h04

Julio Maria

Sunset, o palco do pôr do sol, aprontou das suas de novo. Depois revelar na sexta a incendiária banda californiana Vintage Trouble, hoje foi a vez de B Negão se aliar ao grupo de rock sessentista gaúcho Autoramas para mais uma daquelas reuniões que parecem se vingar dos céticos. Foi tudo em nome de B Negão. Esse cantor de origem híbrida, capaz de jogar com a camisa dos rappers e com a dos roqueiros com a mesma habilidade, veio com um vocal poderoso fazer as versões pensadas para o encontro. Os Autoramas fizeram sua parte, sobretudo com as versões visivelmente pensadas pelo vocalista Gabriel Thomaz, mas não conseguiram se libertar do papel de coadjuvantes. Difícil fazer isso quando se tem ao lado B Negão.

Depois de um início tímido, para não mais de 200 pessoas no Sunset, os gaúchos puxaram Walk the Wild Side, de Lou Reed. Quando o público ameaçava deixá-los para todo o sempre, se dispersando em conversas paralelas e aproveitando para comprar uma cerveja por R$ 10, surgiu de trás do palco o vocal grande e cortante de B Negão, rapeando sobre a base de linhas de contrabaixo sobrepostas criadas por Reed. Um tiragosto para a fúria que viria com Wild Thing, de Jimmy Hendrix, conectada aos versos de “eu canto assim porque fumo maconha”, lembrando os tempos de Negão como um dos vocalistas do Planet Hemp.

Dá vontade de pedir para B Negão não fazer mais outra coisa na vida. Quando coloca sua força em nome do rock and roll, não perde em nada para ninguém. Canta música dos Sonics, faz Kiss do Prince virar Punk e dedica a vulcânica Funk Até o Caroço para seus parceiros do grupo Seletores de Frequência. Foi bom demais. Melhor do que subir ao palco para comprovar ao público sua qualidade, os artistas devem sentir um prazer redobrado quando conquistam uma plateia que pouco o conhecia. B Negão, vestido de roqueiro setentista, venceu.

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