B-52's faz apresentações no Rio e em SP

Estadão

04 de outubro de 2013 | 19h30

Sergio Martins – revista Veja e Veja.com.br

Banda B52'sOs cantores Cindy Wilson, Fred Schneider e Kate Pierson da banda B52’s (Andrew H. Walker/Getty Images)

Os anos 1980 foram o período em que o estilo sofreu. Quem viveu naqueles tempos presenciou autênticos crimes contra o bom gosto, como as ombreiras, os collants nas aulas de aeróbica e bandas de new wave com gel no cabelo e camisas verde-limão. Por outro lado, foi na década de 80 que o país se livrou da ditadura militar, a televisão brasileira abrigou programas inovadores como Armação Ilimitada e TV Pirata e o Rock in Rio colocou o Brasil na rota dos megashows. Kate Pierson, vocalista dos B52’s, até hoje sente saudades do festival.

O quinteto americano – que além de Kate tinha em sua formação os cantores Cindy Wilson e Fred Schneider, o guitarrista Ricky Wilson e o baterista Keith Strickland – se apresentou em duas noites, para um público estimado em 200 000 pessoas. “Os seguranças me aconselharam a não sair do hotel. Mas eu os ignorei e fui fazer compras, conhecer os brasileiros. Foi inesquecível”, diz. Vinte e oito anos e dois retornos — nos anos 1990 e 2000 — depois, o B52’s está de volta ao país para dois shows, em locais mais modestos que o descampado do festival. Nesta sexta-feira, eles tocam no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, e neste sábado se apresentam no HSBC Brasil, em São Paulo.

A formação atual incluiu apenas Kate, Cindy e Schneider. Ricky Wilson morreu de complicações decorrentes da aids nove meses após o Rock in Rio e Keith Strickland (que assumiu a guitarra após a morte de Wilson) desistiu da vida na estrada. O trio é reforçado pelo guitarrista Paul Gordon, pela baixista Tracy Wormworth e pelo baterista Sterling Campbell. O B52’s surgiu em 1976 na cidade americana de Athens, estado da Georgia. “Não havia cena musical ali, posso te afirmar que ela foi criada por nós”, diz Kate. O grupo mantém muitas das características musicais daqueles tempos, como o casamento das vozes agudas de Kate e Cindy com o registro grave de Schneider e canções que esbarram no kitsch. O nome B52’s, aliás, nasceu do penteado bolo de noiva (e extremamente cafona) que as americanas utilizavam nos anos 60.

No início de carreira, o grupo se deslocou de Athens para Nova York a fim de tentar uma oportunidade no CBGB, casa que abrigou os pioneiros do punk e da new wave nos Estados Unidos. “Eles nos recusaram. Fomos então tentar a sorte em outra casa famosa, a Max’s Kansas City, que nos deu uma oportunidade. Tocamos, voltamos para Athens e quando chegamos havia um recado do pessoal da Max’s pedindo que a gente fizesse outro show. Não tivemos outra solução senão cair na estrada de novo.”

A Warner contratou o B52’s em 1979. Quatro anos depois, eles lançaram Whammy!, seu quarto álbum, e o mais bem-sucedido em terras brasileiras. Um dos motivos foi a canção/clipe Legal Tender. “Soube que na última vez em que tocamos no país o público ficou muito frustrado com a ausência de Legal Tender no repertório de nossos shows. Pois ela estará nessa turnê”, promete Kate. Após a morte de Ricky Wilson, o grupo passou por um período de baixa popularidade e criatividade. Eles se recuperaram apenas em 1989, com o disco Cosmic Thing, que trouxe sucessos como Roam e Love Shack. “Cosmic Thing foi a maneira que encontramos de homenagear Ricky. E tivemos a sorte de trabalhar com Nile Rodgers, que considero um gênio.”

O último lançamento do B52’s é Funplex, de 2008. E, se depender de Kate e de seus companheiros de grupo, ele será realmente o álbum derradeiro do grupo. “Eu não posso garantir que não gravaremos mais juntos, mas hoje todos têm outras prioridades. Keith mora na Flórida e tem se envolvido com a cena eletrônica local, Cindy tem a banda dela e Fred Schneider acaba de gravar um disco de Halloween, com a apresentadora de programas de terror Elvira. Eu também terminei de gravar um disco com a cantora de jazz Sia Furler”, conta.

Outra ocupação que tem tomado o tempo da vocalista é ser de dona de hotel. Ela e sua companheira, Monica Coleman, são donas do Lazy Meadow, localizado perto de Woodstock, cidade do estado de Nova York. “Eu comprei aquele terreno após dar um passeio por ali e me encantar com a paisagem.” O hotel – se é que pode ser chamado assim – é composto por nove chalés, com a decoração cafona-chique dos B52’s. Kate ainda é proprietária de outro hotel, o Lazy Desert, composto de seis trailers localizados perto do deserto da Califórnia.

Mas enquanto não troca definitivamente a carreira artística pelo ramo hoteleiro, Kate Pierson mostra uma vitalidade surpreendente para os seus 65 anos de idade em sucessos como Rock Lobster, Private Idaho e Party Out of Bonds. Canções que provam que nem tudo que aconteceu nos anos 80 são dignos de esquecimento.

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