Avenged Sevenfold faz público delirar com heavy playboy

Estadão

23 Setembro 2013 | 02h51

Jotabe Medeiros

O show do grupo norte-americano Avenged Sevenfold teve uma resposta de público extraordinária no Palco Mundo do Rock in Rio, em parte por uma conjugação de fatores evidentes: o décor do show, bastante piromaníaco (e que tem ao fundo da banda três portões de cemitério em chamas), mais um senso de teatralidade de filme de Scooby Doo e uma banda de rapazes bem apanhados, evidentemente bem nascidos.

Com um arsenal de pose e simbologia de radicalidade de revista de tattoos, o grupo representa uma tendência no heavy metal, uma invasão de classe média num gênero tradicionalmente lúmpen. Essa nova geração prefere a virtualidade ao contato direto, o som anódino ao atrito, a decoração à devastação.

A banda abriu com Shepherd of Fire, já bastante conhecida da plateia brasileira. Ali, já mostrava que inventou uma espécie de satanismo de boutique. Seu novo disco, Hail to the King, tem sido interpretado como uma saudação ao Zé Pelintra, e canções como Beast and the Harlot reforçam essa impressão, mas é botar fé demais nos contatos do Sevenfold. Não chegam ao purgatório. No geral, parece uma mistura de Guns ‘N Roses com Backstreet Boys.

“Criamos a banda há 14 anos, e não esperávamos chegar aqui”, disse o vocalista M. Shadows (codinome de Matthew Sanders), que é o showman da banda – o resto é mais low profile, menos afeito à papagaiada. Em 14 anos, eles já conheceram a tragédia: em 2009, morreu de overdose seu baterista, The Rev, e durante algum tempo eles passaram a colocar samples das atuações do finado colega nos shows.

O Sevenfold funciona bem quando é mais pesado. Não têm tão boa mão para baladas, que derrubaram um pouco o ritmo do início do show, alucinante. O show continuou com Buried Alive e Fiction Nightmare.

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