Ava: uma vida dividida entre o cinema e a música

Estadão

17 de março de 2012 | 17h03

Felipe Branco Cruz

A capa do primeiro disco da cantora e compositora Ava Rocha, de 32 anos, filha do cineasta Glauber Rocha (1939-1981), batizado de Diurno, é perturbadora. Quatro cabeças decapitadas repousam nas areias de uma praia deserta. O resultado remete ao icônico disco Secos & Molhados (1973) ou ao filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber. Mas Ava garante que não. “Foi uma ideia que veio do artista plástico Tunga. Mas se vocês acham que a capa se conecta a essas referências, acho bom, pois a fortalece”, diz ela.

A imagem da capa reflete o caráter experimental desse recém-lançado álbum de sua banda, a Ava, formada ainda por Rocha (voz), Daniel Castanheira (bateria, percussões, efeitos eletrônicos), Emiliano 7 (violão e efeitos) e Nana Carneiro da Cunha (violoncelo e vocais). Com voz marcante e timbres fortes, boa parte das músicas é interpretada pela cantora, que também assina quase todas as composições. O resultado é uma mistura de samba, MPB, música de cabaré e bossa nova.

O trabalho principal de Ava, no entanto, é o de cineasta. Mas uma coisa, segundo ela, não atrapalha a outra. “Nunca cantei profissionalmente, mas conheci os integrantes da banda e fomos fazendo experimentos. Quando percebemos, já tínhamos um repertório”, conta. Ava, no entanto, não gosta de classificar que tipo de música faz. “Está embutido de muitos gêneros. A recepção que estamos tendo no exterior também está sendo boa. Acho que fizemos um som universal.”

Para o disco de estreia, tudo foi pensado com cuidado. Inclusive o nome do álbum: Diurno. “Pensamos até em não dar nome”, diz. “Mas o conceito dele é forte e precisamos de um nome.” As músicas são contrastantes. “Tem um pouco de soturno, mas é muito luminoso.”

Além de letras próprias, Ava incluiu uma composição de seu avô, o poeta colombiano Jorge Gaitán Durtán, pai de sua mãe Paula Gaitán. O poema foi musicado por Ava e Emiliano 7.

O cinema, no entanto, não foi deixado de lado pela cantora. “As duas coisas estão ligadas”, ressalta. “Acabo criando músicas na hora da montagem dos meus filmes. Eu já fazia as trilhas, mas sem voz. Depois, comecei a cantar e percebi que poderia também atuar como cantora.”

Apesar de garantir não sentir pressão por seu pai ser Glauber Rocha, Ava concorda que ser filha de quem é ajuda a divulgar o disco. “As pessoas ficam interessadas. Acho isso natural. Mas não vai ser isso que vai definir que o disco é bom.”

Dentre suas referências, estão mestres como Tom Jobim, Caetano, Jards Macalé, Cartola e Zé Celso Martinez Corrêa. “O Zé é uma grande influência para mim. É um grande compositor, mas você só percebe isso se for assistir a uma de suas peças no Teatro Oficina. Comecei cantando lá e isso me marcou muito.”

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