Ava: Deus e o diabo na terra do som

Estadão

15 de janeiro de 2012 | 16h17

Emanuel Bomfim

Antes do som, a imagem da capa tem efeito simbólico no disco de estreia da banda Ava: quatro cabeças cortadas, emaranhadas por seus cabelos, repousam sobre uma praia. Lembra, em certa medida, o clássico de 1973 dos Secos & Molhados.

A proposta, no entanto, encontra respaldo no universo familiar da líder do quarteto, Ava Rocha. Faz referência ao filme Cabeças Cortadas, obra de 1970 de Glauber Rocha (1939 – 1981), pai da moça – que também é cineasta, além de cantora. “Tunga (autor da capa) trouxe um elemento estranho, surrealista, que a gente brinca também no disco”, explica a artista durante papo nos estúdios da Rádio Eldorado.

Recém-lançado pela Warner, Diurno oficializa a carreira musical de Ava, que sempre cantou, mas nunca havia concretizado algo na área. O primeiro passo contou com empurrão do diretor de teatro Zé Celso Martinez Corrêa, que a convidou para se apresentar nos DVDs de Os Sertões, em 2006. “Essa experiência de teatro com o Zé Celso me convenceu do que eu realmente queria fazer, porque eu amo cantar.Sempre amei!”, declara, com sua voz grave, mas de uma ternura aconchegante, como ajudou a definir Caetano Veloso.

No time de Ava estão Daniel Castanheira (bateria, efeitos eletrônicos), Emiliano 7 (violão) e Nana Carneiro da Cunha (violoncelo). Todos, assim como a vocalista, desempenham atividades artísticas que não estão centradas na produção musical. MPB contemporânea? Eles torcem o nariz para qualquer espécie de definição.

Banda Ava (a cantora Ava Rocha é a de preto) - FOTO: DIVULGAÇÃO)

“Eu não tenho nenhuma referência e nenhuma preocupação com isso. Nunca tive, nem no cinema nem em lugar nenhum. Eu não me interesso por gênero, por um tipo de cinema… Eu tô mais interessada na essência da coisa”, explica Ava, autora da maior parte das 14 faixas de Diurno, muitas delas feitas com o irmão Pedro Paulo Rocha.

Entre as regravações, duas são setentistas, Pra Dizer Adeus, de Edu Lobo e Torquato Neto, e Movimento dos Barcos, de Jards Macalé e Capinam. A terceira é um desbunde romântico dos 80: Bons Momentos, imortalizada na voz de Tim Maia.Em nova fase de ensaio, o show vai ganhar maior rebuscamento para retornar aos palcos, fato que só deve acontecer em março, em São Paulo.

Via de regra, bandas novas costumam debutar pela via independente, diferente do que ocorreu com Ava, já associada com uma major. Segundo eles, o convite veio de maneira natural, após Constança Scofield, do estúdio Toca do Bandido, conhecer o trabalho.

“O fato de a gente estar na Warner cria uma nova linhagem dentro das gravadoras, de apostar num trabalho que é diferente, que está sintonizado com esta nova geração”, define a cantora-cineasta. “Acabei de fazer Ardor Irresistível e estou terminando um filme que montei e codirijo com Eduardo Mocarzel, chamado Histeria. Eu nunca paro.”

Tudo o que sabemos sobre:

AvaGlauber Rocha

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.