As novas armas de Slash

Estadão

14 de abril de 2012 | 22h30

Rafael Fernandes – ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO

Slash está de volta. Não ao Guns ‘N’Roses, claro. Mas à sua carreira solo, com o lançamento, em 22 de maio, de seu álbum, Apocalyptic Love (Hellion Records). Desta vez, o músico não tem mais o suporte de astros como Ozzy Osbourne, Iggy Pop e Lemmy, presentes em seu disco anterior, Slash, de 2010. Agora é sua nova banda de apoio que aparece sob os holofotes.

Com nome na capa e chamada de The Conspirators, é composta por Brent Fitz (bateria) e Todd Kerns (baixo) – um guitarrista de apoio está sendo escolhido para os shows, já que o ex-Velvet Revolver gravou tanto as guitarras base quanto as solo no disco.

Em entrevista por telefone ao Estado, Slash conta que o repertório foi sendo formatado aos poucos, na turnê anterior. Depois, foi ajustando os detalhes com a presença dos músicos, aos quais ele credita a sonoridade mais hard rock. A gravação foi feita basicamente com todos tocando juntos em estúdio. Em sua opinião, esse tipo de registro traduz melhor o espírito do rock ‘n’ roll.

De fato, o que prevalece em Apocalyptic Love é uma pegada mais pesada e solta. Slash garante que não foi nada planejado: quando faz um novo disco não pensa muito, apenas tenta não soar tão previsível. Quando solicitado para destacar algumas de suas preferidas desse CD, diz que fica tão absorvido pelo processo de composição e gravação que demora anos para voltar a ouvir o que fez e notar o que tem de interessante.

Slash se empolga ao falar de seu novo parceiro, o vocalista Myles Kennedy, que escreveu as letras e também ganhou destaque na capa do disco. “Temos uma química saudável”, afirma, completando que “as pessoas se esquecem que rock ‘n’ roll é sobre isso, química”.

Para quem teve de lidar com as personalidades fortes de Axl Rose e Scott Weiland, Slash parece ao mesmo tempo admirado e aliviado ao falar do cantor. Tanto que já vê a relação como duradoura: espera voltar a trabalhar com ele no futuro.

Um assunto que tem agitado o noticiário musical, em especial os fãs do Guns ‘N’ Roses, é a nomeação do grupo para o próximo Rock & Roll Hall of Fame, em cerimônia que será realizada hoje, em Ohio.

( FOTO: REUTERS/Mario Anzuoni)

Slash diz que fica honrado pelo reconhecimento, mas admite que não tem “sentimentos especiais” pela nomeação em si. Vê o assunto de forma dúbia: acha que é um evento legítimo, ao mesmo tempo em que “parece que qualquer um pode ser nomeado” e que artistas que também merecem a homenagem acabam não sendo reconhecidos. Confirma que estará presente à cerimônia, mas apenas para “não desapontar os fãs”.

Sobre uma possível reunião do antigo Guns N’ Roses, Slash soa resignado: “As pessoas são obcecadas pelo assunto”. E explica que não veria “nada positivo acontecendo” em decorrência disso. Poderia até considerar se reunir num evento como esse, para tocar duas ou três músicas com seus velhos colegas, pelos fãs. Mas acaba com as esperanças de quem ainda anseia por isso, sendo categórico: “Não vai acontecer”. E faz questão de reforçar: “Eu segui em frente anos atrás.”

O derradeiro balde de água fria nos fãs veio poucas horas depois da entrevista com o Estado, na tarde de quinta, quando Axl Rose disparou mais uma de suas cartas megalomaníacas. Nela, não apenas afirmou que não estará no evento: simplesmente rejeitou a própria nomeação. E fez questão de descartar qualquer tipo de encontro com formações antigas do grupo.

Em compensação, os admiradores brasileiros do guitarrista podem se preparar para vê-lo por aqui em breve. Ele conta que as negociações para apresentar sua nova turnê no País estão avançando rapidamente e os shows devem ocorrer ainda este ano, em outubro ou novembro.

Sobre o repertório, comenta que ele e seu grupo ainda estão trabalhando com o mesmo da turnê anterior – além, claro, de terem incluído músicas de Apocalyptic Love. Devem ir modificando aos poucos, conforme os shows acontecem. Por fim, ele acredita que está com uma “banda consistente” e que quem assistir à turnê atual vai notar a evolução do grupo em relação à anterior.

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