As extravagâncias do Queen em edições duplas

Estadão

14 Abril 2011 | 08h33

Lauro Lisboa Garcia

Com o bom pretexto de comemorar os 40 anos do início da carreira do Queen, a gravadora Universal relança no Brasil o catálogo do quarteto inglês, em três etapas. São todos os álbuns de estúdio: os 14 de carreira mais a trilha sonora do filme Flash Gordon (1980), de Dino de Laurentiis.

Saem agora os cinco primeiros: Queen (1973), Queen II e Sheer Heart Attack (ambos de 1974), A Night at the Opera (1975) e A Day at the Races (1976), todos em edição dupla (a melhor que o grupo já teve no Brasil em CD), com as letras das canções, fotos e um EP bônus com raridades. Todos já tinham sido remasterizados pela EMI em Londres em 1994, mas a propaganda deste relançamento promete “nova e superior qualidade sonora”.

O segundo lote está programado para junho, começando pelo álbum que marcou a fase de maior popularidade internacional da banda, News of the World (1977), até Hot Space (1982).

Queeen no auge do sucessom nos anos 70 (FOTO: REPRODUÇÃO DE ENCARTE DE CD)

Os últimos cinco saem em setembro, incluindo o caça-níqueis “póstumo” Made in Heaven, de 1995, quatro anos depois da morte de Freddie Mercury, sem dúvida um dos cantores de personalidade mais marcante da história do rock. Naturalmente, na reta final a banda já não tinha a força nem as ousadias do início.

O Queen começou como promissor candidato ao trono do Led Zeppelin no hard rock britânico. Surpreendeu na primeira fase com sofisticação e experimentalismo, misturando rock pesado com progressivo, toques de glam, apelo gay e extravagância kitsch.

Claro que os dotes poderosos de Brian May como compositor e guitarrista era o que musicalmente a banda tinha de melhor. O feliz encontro com John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria) formava a base perfeita para as pretensões do rock art da época, mas obviamente nada teria sido tão espetacular em sua história sem o vocal, a personalidade e o atrevimento de Freddie Mercury.

“Freddie sempre pareceu uma estrela e se comportava como uma mesmo quando não tinha um tostão”, disse May certa vez. “Quando começamos a dividir um apartamento, Fred levava para casa grandes sacos com coisas, tirava uma peça horrível de roupa e dizia: ‘Olha para esse traje lindo. Isto vai trazer uma fortuna.” E trouxe, como se sabe.

O auge dessa fase foi o clássico álbum A Night at the Opera, que incluía a extravagância de Bohemian Rhapsody, tido como um dos singles mais longos da história do rock, com 5 minutos 52 segundos de duração e diversas mudanças de ritmo e andamento. “Muitas pessoas criticaram a canção, mas com quem é que nos podemos comparar? Digam-me o nome de um grupo que tenha feito um single lírico”, desafiou Mercury.

Freddie Mercury desafiador e arrogante no palco (FOTO: REPRODUÇÃO DE ENCARTE DE CD)

Antes mesmo de ter contrato com uma gravadora, o Queen registrou algumas canções em 1971, como Keep Yourself Alive, Jesus e Liar, cujas demos aparecem agora pela primeira vez comercialmente, no EP bônus com seis faixas que acompanha o LP de 1973.

Embora coeso e provocando interesse da mídia no Reino Unido desde o início, o Queen só começou a decolar a partir de Sheer Heart Attack. Porém, o primeiro single, Keep Yourself Alive, já era um ótimo cartão de visitas, abrindo o álbum de estreia.

Os quatro CDs subsequentes dessa fase atestam o crescimento espantoso da banda e seus primeiros big hits: Killer Queen, Bohemian Rhapsody, Love of My Life, Somebody to Love…

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