As aulas de história na música do Grave Digger

Estadão

01 de novembro de 2010 | 16h14

Tunes of War

Tunes of War

Marcelo Moreira

Houve uma revista inglesa de heavy metal, a Kerrang, que afirmou ser algumas músicas do Iron Maiden verdadeiras aulas de história, graças ao interesse sobre o assunto do vocalista Bruce Dickinson e do baixista Steve Harris. “Powerlave”, o álbum de 1984, tinha uma espécie de conceito sobre o Egito antigo.

No entanto, ninguém levou esse conceito mais longe do que os alemães do Grave Digger, que completam 30 anos de carreira em 2010. Ícone do heavy metal tradicional, com um timbre de guitarra característico, o hoje quinteto pasou investir em álbuns conceituais relantando fatos históricos a partir dos anos 90. O grupo se reinventou e aumentou a sua base de fãs.

Liberty or Death

Liberty or Death

As três décadas estão sendo comemoradas neste mês com o lançamento de mais um CD, “The Clans Will Rise Again”, que retoma a história da Escócia medieval como tema.

O Grave Digger e seus álbuns conceituais têm como mentor Chris Boltendahl, vocalista de voz rouca e potente. As obras-primas são a trilogia iniciada em 1996 com “Tunes of War”, que narra as lutas pela independência da Escócia nos séculos XIII e XIV.

A banda foi ajudada pelo lançamento à época de “Braveheart” (Coração Valente), filme dirigido e estrelado por Mel Gibson, que interpretou o herói escocês William Wallace, também presente em “Tunes of War”, que se tornou o maior sucesso do grupo.

Ballads of a Hangman

Ballads of a Hangman

Com a grande aceitação, tão logo acabou a turnê de divulgação, Boltendahl iniciou a composição do álbum seguinte, “Knights of the Cross”, lançado em 1998, contando a história dos Cavaleiros Templários, que lutaram nas primeiras cruzadas contra o Islã no século XI. O sucesso foi repetido.

A fórmula estava dando certo, então, em 1999, surgiu “Excalibur”, tendo como tema as crônicas do Rei Arthur e a Távola Redonda, com a história inciando-se ainda no surgimento da espada fincada na pedra – texto fundamental da cultura britânica. Vendeu bem, mas nem tanto.

Após um álbum normal, em 2001, os temas históricos foram retomados em 2003 com “Rheingold”, é um disco conceitual baseado na ópera “O Anel dos Nibelungos” (Der Ring des Nibelungen) composta por Richard Wagner no século XIX, que por sua vez tinha como base texto que faz parte da mitologia nórdica e também da cultura alemã. A partir daqui a qualidade começa a cair um pouco, mas ainda assim fica em um npivel bem aceitável.

THe Last Supper

THe Last Supper

A história gira em torno de um anel mágico cuja posse concede o poder para controlar o mundo. O anel é feito do ouro roubado do rio Reno e foi forjado pelo anão Alberich, o nibelungo do título. Vários personagens lutam pela posse do anel, dentre eles Wotan (Odin), chefe dos deuses, e o herói Siegfried.

O sucesso se repetiu, o que levou a banda a compor “The Last Supper”, baseado nos relatos em torno da última ceia de Jesus Cristo com os apóstolos.

Rheingold

Rheingold

Em “Liberty or Death”, de 207, a banda foge um pouco do conceito fechado. Todas as músicas giram em torno de fatos históricos envolvendo lutas pela liberdade em vários locais e momentos da história. “Ballads of a Hangman”, de 2009, segue a linha do anterior e o tema é a morte por enforcamento, mas sem se limitar a um só fato histórico.

Knights of the Cross

The Clans Will Rise Again

Finalmente, com o recém-lanlado “The Clans Will Rise Again”, a Escócia volta a ser o tema, com a descrição bastante elaborada de como os clãs escoceses enfrentaram as invasões vikings na alta Idade Média e os ingleses, a partir do século XII. É o melhor álbum do grupo desde “Rheingold”, o mais pesado e o mais dinâmico.

A julgar pelo vigor do novo CD, as aulas de história vão continuar, pois Boltendahl nem pensa em aposentadoria. Nós agradecemos.

Excalibur

Excalibur

Knights of the Cross

Knights of the Cross

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