Arctic Monkeys: enxuto, direto e certeiro

Estadão

10 de abril de 2012 | 06h05

Pedro Antunes

O cabelo longo demais, sem corte, foi trocado por um lustroso topete. A camiseta surrada, por uma estilosa jaqueta de couro. Mas não foi só o vocalista e guitarrista inglês Alex Turner que mudou.

O Arctic Monkeys já não é mais a banda de hits dançantes, cujas letras, por exemplo, apostavam que a menina ficaria linda numa pista de dança, como em I Bet You Look Good on the Dancefloor, música que fez sucesso na internet antes mesmo de o grupo colocar seu disco de estreia, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, nas lojas, em 2006. No ano seguinte, o quarteto de Sheffield (cidade que fica no norte da Inglaterra) veio a São Paulo para se apresentar no Tim Festival, mas decepcionou.

Anteontem, às 21h31, eles entraram no palco Cidade Jardim, do Lollapalooza, no Jockey Club de São Paulo, sob desconfiança. Eram a principal atração da noite, cargo ocupado no dia anterior pelo carismático Foo Fighters. Mas não eram mais os garotos assustados de antes. As canções ganharam guitarras mais viris enquanto bateria e baixo, pulsantes, formam uma cozinha rock’n’roll.

O set list foi escolhido para dar vigor ao show, evitando uma possível queda de ânimo do público – 60 mil, segundo a organização do Lollapalooza, 15 mil a menos do que no sábado. A chuva, chata, ainda caía quando Turner exibiu seu novo visual à la James Dean.

Arctic Monkeys ( FILIPE ARAUJO/AE)

Ele não é um mestre de cerimônias como Dave Grohl, do Foo Fighters. Tímido, distribuiu alguns “obrigados” e anunciou grande parte das músicas (como se precisasse, frente a uma audiência que parecia reconhecer cada uma após alguns acordes). Ele preferiu se comunicar com o público só com sua guitarra.

Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair, poderosa canção do mais recente (e também poderoso) disco Suck It And See, mostrou por que os ingleses foram elevados ao nível de banda de arena. Eles decifraram a fórmula das músicas grandiosas (assim como Grohl o faz, da sua maneira).

Duas guitarras, de Turner e Jamie Cook, tocaram o riff inicial, em uníssono, enquanto o vocalista soltava a voz grave e preguiçosa. Quando o baterista Matt Helders socou suas baquetas com força na bateria, o Lollapalooza já estava ganho.

Teddy Picker e Crying Lightning, do segundo e terceiro disco, Favourite Worst Nightmare (2007) e Humbug (2008), respectivamente, receberam nova roupagem, com mais pausas e arranjos pesados. Veio, então, outra do novo CD, The Helical Spangled Shalalala, cujo refrão (fáceis “lá, lá, lá”) foi também cantado em coro.

O Arctic Monkeys preferiu deixar alguns hits mais suaves fora do show e fez a escolha certa (com exceção de 505, que fechou a apresentação em anticlímax), mas trouxe outros, como Library Pictures e Fluorescent Adolescent. No fim, ficou a impressão de que eles podem conquistar as arenas e os grandes palcos. Os garotos cresceram.

Tudo o que sabemos sobre:

Arctic MonkeysLollapalooza

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.