Apresentador do ‘That Metal Show’, Eddie Trunk vem ao Brasil para botar fogo no Monsters of Rock

Estadão

25 de agosto de 2013 | 07h45

Jotabê Medeiros – O Estado de S.Paulo

 

O apresentador Eddie Trunk - Divulgação
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O apresentador Eddie Trunk

Eddie Trunk não toca guitarra nem canta. Mas é um ídolo do heavy metal. Apresentador do programa That Metal Show, no VH1, interlocutor dos principais astros do gênero, o radialista é uma celebridade tão venerada quanto os maiores metaleiros. “Ele carrega a bandeira de defensor de todas as coisas do rock”, diz dele Bret Michaels, vocalista do Poison. “Ele ouve e vê de todos os ângulos, com um ponto de vista espantosamente embasado”, analisa Slash. “O nome de Eddie devia ser soletrado METAL”, vaticinou o falecido Ronnie James Dio.

Pois bem: no dia 20 de outubro, Eddie Trunk desembarca no Brasil pela primeira vez para apresentar o festival Monsters of Rock, que tem atrações como Aerosmith, Whitesnake, Hellyeah, Korn, Limp Bizkit, Ratt, Killswitch Engage, Buckcherry, Queensrÿche, Hatebreed, Dokken. Trunk vive o perigo do metal: no dia 19 de agosto, um jatinho no qual o apresentador viajava com as bandas Ratt e Dokken sofreu uma pane em Chicago e precisou fazer um pouso de emergência.

Você terá uma plateia brasileira à sua frente. É natural para você, apresentar bandas em países estrangeiros?

Faço isso com frequência nos Estados Unidos, mas muito raramente fora do meu país. Fiz uma vez no Download Festival, na Inglaterra. Cada vez que estreamos um programa That Metal Show, chega uma tremenda quantidade de e-mails do Brasil, e comentários pelo Twitter e Facebook. Não via a hora de fazer contato com eles. Muitas das bandas que tocarão eu conheço há muitos anos. É estranho fazer isso num lugar tão desconhecido para mim, mas ao mesmo tempo estarei cercado de amigos de longa data.

Você está lançando um novo livro. Quando escreve livros sobre o metal, tem ambição semelhante à de um historiador?

Fiz meu primeiro livro há dois anos e lanço o segundo no próximo dia 24 de setembro. Não considero a mim mesmo um grande escritor, apesar de ter começado como resenhista. Escrevo na mesma voz e no mesmo estilo que falo, tentando expor minha paixão pelo objeto de meu trabalho. Mas tenho histórias para contar e, tendo em vista que estou nesse métier há 30 anos, muita gente me procura para ouvi-las. Então, o livro começou por causa disso. O primeiro teve muito sucesso aqui. Era 50% fotos, coisa que muita gente nunca viu, e 50% histórias, textos, playlists, uma mistura. O segundo é uma sequência. Não é uma autobiografia, não é difícil de ler.

Você consegue enxergar bandas novas realmente excitantes?

Acho que há muitas bandas emergentes que estão entusiasmando plateias e críticos. O problema é que muitas dessas bandas são imediatamente comparadas aos ícones, Van Halen, Metallica, Black Sabbath, AC/DC, Aerosmith. Você tem de dar tempo, é difícil uma banda nova demonstrar imediatamente o mesmo poder que demonstraram as bandas icônicas. O tempo vai dizer. Precisam de tempo para estabelecer uma base de fãs, excursionar, tocar bastante ao vivo, fazer discos consistentes. Uma banda nova que eu realmente aprecio é o Winery Dogs, formada por Mike Portnoy, Billy Sheehan e Richie Kotzen. Embora muito bons, não são conhecidos como deveriam ser. É muito recompensador saber que ajudei a disseminar a sua música.

Qual é sua banda favorita de todos os tempos?

Bom, Black Sabbath é para mim a banda mais importante na história do heavy metal. São os pais da coisa. Vivo em New Jersey e acabo de vê-los, fizeram show há duas semanas. Estão mais velhos, não sei quanto tempo ainda tocarão, então foi muito importante para mim vê-los uma última vez antes que se aposentem. Mas a banda da qual eu comprei o primeiro disco foi o Kiss. Era ainda um garoto. Eles me fizeram ir ao meu primeiro show. Após o Kiss, quem me arrebatou foi o Aerosmith. Ainda são fundamentais, ainda são os mesmos 5 caras, o que é fantástico após 45 anos. É incrível. E ainda são grandes. Têm a mesma energia, Steven (Tyler) ainda canta muito, e a habilidade de tocar é a mesma. Provavelmente são ainda melhores que antes, porque largaram as drogas (risos). Já o Kiss, nos últimos 10 anos, para mim, tem sido um desapontamento. Não sou mais um fã do que andam fazendo. Continuam grandes músicos, mas perderam o bonde. Deveriam ter se aposentado. Mas, se estão se divertindo fazendo música, quem sou eu para dizer o contrário?

E quanto ao Guns N’ Roses? Ainda são relevantes?

Só sobrou o Axl Rose da formação original, mas eu não tenho nada contra bandas substituírem membros. Quase toda banda substituiu alguém por diversas razões. Mas o Guns é hoje uma banda completamente diferente, vejo pouquíssima relação com a banda original. Vi o Guns no auge da carreira, era outro estilo. Era cru e perigoso. Hoje o Guns tem dois tecladistas, três guitarristas, a música é mais elaborada. É a mesma coisa quando perguntam a respeito do Van Halen, que amo. “Quem você prefere: o David Lee Roth ou o Sammy Hagar?” Gosto de ambos. Só que são duas bandas completamente diferentes, mas os dois são bons.

E o Motorhead? Lemmy é um cara único no mundo do heavy metal. Como você o define?

O principal sobre o Motorhead é que nunca mudou. Lemmy (Kilmister) nunca se comprometeu com nada, é sempre o mesmo cara. Apresenta no palco aquilo no qual acredita, não entra em moda, não cede ao comercialismo. Muita gente o considera um dos ícones do heavy metal, mas se você perguntar a ele, lhe dirá que não vê Motorhead como banda de heavy metal. É só uma banda de rock’n’roll barulhenta, ele dirá.

Muitos consideram Serj Tankian e o System of a Down um caminho novo dentro do heavy metal. Você concorda?

Certamente respeito essa opinião, mas gosto mais das coisas tradicionais. Não é meu gosto pessoal. Gosto da energia, mas não curto tanto. O que não significa que não o respeite. Apenas é que não está no meu iPod nem na minha coleção de CDs.

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