Anna Calvi: canções que ardem como dramas de diva

Estadão

19 de maio de 2011 | 23h30

Roberto Nascimento

No disco de estreia da cantora Anna Calvi, a guitarra é o estopim de canções que chegam a ápices de intensa dramaticidade. Empunhadas pela habilidosa moça, as cordas lembram trilhas de westerns, surf music, pós-punk e Villa-Lobos, influências que resultam em arranjos criativos para o power trio do disco.

Os melhores momentos acontecem antes desses arranjos serem sobrecarregados pela voz possante de Calvi, que já foi comparada a Edith Piaf pela crítica internacional. Em No More Words, por exemplo, o clima fica sofisticado quando os vocais são deixados a sós com a bateria. A guitarra ressurge no fim com um dedilhado singelo, mas o equilíbrio não se perde.

À medida que o disco engrena, Calvi revela sua tendência para o drama. O que era cool passa a ser consumido por labaredas líricas. Os refrões transpiram intensidade, como se Calvi fosse uma diva de cabaré possuída pelo Diabo. No entanto, sua dor não chega à catarse e a sensação é de que está faltando algo.

Capa do CD "Anna Calvi"

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