Anarquia e caos sonoro na música do Porcupine Tree

Estadão

14 de outubro de 2010 | 08h10

Marcelo Moreira

Um encontro hipotético entre Dream Theater, Pink Floyd, King Crimson, Monthy Python e Frank Zappa. A anarquia sonora protagonizada pelos ingleses do Porcupine Tree é mais ou menos isso, e muito mais.

Erroneamente rotulado de rock progressivo ou metal progressivo, Steven Wilson, guitarrista, vocalista e mentor do grupo – que tem formação variável – continua desafiando seus críticos a estabelecer um critério minimamente decente para tentar explicar que tipo de “coisa” o grupo faz.

“Anesthetize” é o novo trabalho do Porcupine Tree, lançado em DVD, CD e Blu-Ray, gravado ao vivo em Tilburg, na Holanda, em 2008, durante a turnê do excepecional álbul “Fear of a Blanket Planet”. Todos os elementos que tornam esquisita e fantástica a música da banda estão lá: a guitarra hipnótica, a percussão intensa e quase primal, os efeitos eletrônicos perfeitamente encaixados e a voz quase desesperada de Wilson.

Capa do DVD "Anesthetize", gravado ao vivo na Holanda

Sua execução de guitarra nada tem de extraordinário, como frisa o próprio guitarrista, mas o que torna tão caótico e esquifrênico o som da banda, mas ao mesmo tempo denso e extremamente bem concebido, é o entorno, com a presença de músicos excelentes especializados em sons experimentais, como Richard Barbieri (sintetizador e teclado), Colin Edwin (baixo), Gavin Harrison (bateria e percussão) e John Wesley (voz e guitarra)

Os álbuns são em sua maioria excelentes, como o já citado “Fear of a Blanket Planet”, “Deadwing”, Stupid Dream”, “Lightbulb Sun”, “In Absentia” e o último álbum, “The Incident”, de 2009.

E Wilson, além de maluco, é workaholic e prolífico. Depois de “Fear of a Blank Planet” o Porcupine Tree colocou no mercado o EP “Nil Recurring”, com sobras do álbum, e o acústico “We Lost the Skyline”, gravado ao vivo na Park Avenue Records, em Orlando (EUA), em outubro de 2007.

“We Lost the Skyline” é uma raridade dentro da carreira da banda, quase um acaso. É uma apresentação acústica de Steven Wilson, com participação, nas quatro últimas faixas, do guitarrista John Wesley. Não deveria combinar, mas deu certo, o trabalho ficou muito interessante de forma intimista e desplugada.

Entretanto, são os álbuns ao vivo que reúnem a essência do Porcupine Tree. Não há nenhum que não seja menos do que ótimo. Escolha qualquer um além de “Anesthetize” e não se arependerá: “Coma Divine – Recorded Live in Rome”, “Warszawa”, “Rockpalast” e “Ilosaarirock”.

Cada um a seu tempo e relativo a um álbum específico, eles retratam o Porcupine Tree em sua melhor forma: no palco, em meio a um concerto anárquico, caótico e magistral, com efeitos sonoros e visuais inventivos e criativos.

Para uns, é a música do futuro e a banda a ser venerada. Na verdade, o Porcupine Tree é a música do presente. Ainda é pouco compreendido aos 23 anos de carreira, mas Steven Wilson parece não estar com pressa. A anarquia e o caos sonoro lhe tomam todo o tempo de produção musical, para nossa sorte.

A banda em ação durante apresentação em Chicago, em 2007 (PHOTO BY JIM WORMINGTON)

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