Alvin Lee, um mestre da guitarra

Estadão

10 de março de 2013 | 07h33

Dum de Luca – coluna Jukebox – site Dynamite Online

No dia 6 de março, morreu aos 68 anos um dos melhores e mais importantes guitarristas da história do blues-rock, o inglês Alvin Lee. De bobeira, quando todos comentavam nas redes sociais e na mídia a tragédia ocorrida com o vocalista Chorão, da mediana e superestimada banda Charlie Brown Jr. recebi um skype que Alvin teria falecido.

Imediatamente fui a sua página pessoal na web e vi uma mensagem deixada pelas três filhas do músico. Fiquei chocado. A mensagem dizia: “Com profunda tristeza temos de anunciar que Alvin, inesperadamente, faleceu nesta manhã, após complicações imprevistas, decorridas de um procedimento cirúrgico de rotina. Perdemos um maravilhoso e muito amado pai e companheiro. O mundo perdeu um verdadeiro e talentoso músico”.

Fundador da mitológica banda Ten Years After, que tive o prazer de ver ao vivo na antiga casa de shows Palace (SP) em 1994, esteve presente no lendário Festival de Woodstock, realizado entre 15 e 18 de agosto de 1969. Para mim foi uma perda pessoal, pois desde meus 14 anos, e lá se vão mais de 30 anos, ouvi seus maravilhosos e criativos riffs, seus solos precisos e avassaladores e sua voz marcante e precisa. Durante alguns anos, disputou o posto de melhor guitarrista de rock, se destacando por seu virtuosismo, feeling e velocidade, estando, com certeza, entre os dez melhores guitarristas de todos os tempos.

Esse texto é uma homenagem pessoal a um cara que me faz feliz quando coloco no carro, ou em casa, um Cd com suas músicas que, além de serem poderosas formas de expressão calcadas nas raízes do blues e jazz, levaram para o rock uma vitalidade e aglutinação de variações incríveis.

Um músico que agregou, criou linhas novas e adotou uma postura de profunda intimidade com sua guitarra. A versatilidade e sentimento que colocava em suas canções faltam a 99% do rock de hoje. Álbuns como “StonedHenge”, “Sssssh”, “Space in Time”, “Crickleewood Green”, “Rock and Roll to The World” e “Positive Vibrations” são clássicos indispensáveis em qualquer discoteca básica de um rocker de coração. O músico inglês também colecionava gravações ao lado de grandes nomes da música britânica. O primeiro álbum solo de Lee, “On the Road to Freedom”, de 1973, contou com participações do ex-beatle George Harrison, de Mick Fleetwood e Ronnie Wood, entre outros.

O título deste trabalho serviria, quarenta anos mais tarde, como referência para o lançamento mais recente do artista, o disco de estúdio “Still on the Road to Freedom”, de 2012. Claro, e infelizmente, que todos os nossos ídolos um dia morrem. Contudo, uma perda assim tão repentina me pegou como um soco no estômago. Deixou-me sem ar.

O que fiz imediatamente após ler o comunicado em sua página na internet, foi chorar e colocar BEM ALTO, um CD com magias de Alvin Lee. Nada mais a escrever, porque seria redundância. Melhor saber que ele existe em suas canções imortais, pois arte é atemporal e para sempre. Seu legado fica para a minha geração e duas posteriores. Se um garoto quer tocar guitarra, para seu bem, ouça Alvin Lee.

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