Alvin Lee, mestre da guitarra do Ten Years After, morre aos 68 anos

Estadão

06 de março de 2013 | 15h54

Marcelo Moreira e Rodrigo Mattar (do site A Mil Por Hora)

Pense em Steve Vai e Yngwie Malmsteen. O guitarrista Alvin Lee era o equivalente a eles, só que quase 20 anos antes. Velocíssimo e melódico, transformou o seu Ten Yeras After em um furacão do blues e do rock em 1967 e ganhou reputação de mestre entre os aficionados por blues naquela época.

Lee morreu hoje, aos 68 anos, de complicações relacionadas uma cirurgia de rotina, segundo informa um lacônico comunicado postado em seu site oficial por suas três filhas.  Ainda estava na ativa, ora em carreira solo, ora se juntando a alguma formação esporádica do Ten Years After.

O músico de Manchester era um gentleman, mas também era estrela. Sabia de seu valor, e fazia de tudo para mostrar o quão bom era, mas faltou um marketing melhor e uma gravadora que apostasse todas as suas fichas.

Não se conformava com o sucesso obtido por gente como Pete Townshend, Tony Iommi e até Jimmy Page. Era amigo de todos, mas não escondia de ninguém que se cahava melhor, e que deveria ser tão reconhecido quanto Jimi Hendrix.

Em 1969 escutou que tinha sido lembrado como opção para substituir Brian Jones nos Rolling Stones. Teria sido preterido por Mick Taylor, que realmente ocupou a vaga. Mais tarde soube pelo próprio Mick Jagger que nunca tinha sido cogitado. “Se não fosse Taylor, teria de ser (Eric) Clapton ou Jeff) Beck, teria dito o cantor dos Rolling Stones, deixando Lee transtornado.

Nascido em Manchester, aos 13 anos empunhava sua guitarra sonhando em ser um virtuose. Sua primeira banda foi a Jaybirds. Em 1967, assumiu a liderança da banda e o grupo virou Ten Years After, que se tornou ‘residente’ do Marquee, lendário clube londrino.

No fim da década, saíram em turnê para os Estados Unidos, levados pelo empresário Bill Graham, que depois os encaixaria junto aos promotores do festival de Woodstock para que tocassem no evento.

A apresentação do grupo tornou-se histórica pela performance alucinada de seus integrantes – especialmente o baixista Leo Lyons e do próprio Alvin Lee, que sai do palco ovacionado e carregando no ombro uma enorme melancia.

O grupo torna-se popular, participa do Festival da Ilha de Wight e o Ten Years After lançaria em 1973 o seu maior sucesso, “I’d love to change the world”. Um ano depois, a banda se dissolveu e Alvin tocou projetos solo até 1983, quando houve mais uma tentativa de reunião do grupo.

Cinco anos mais tarde, Lee e seus antigos colegas voltaram a tocar juntos, mas o guitarrista deixou definitivamente o grupo em 2003, dando lugar a Joe Gooch.

O Ten Years After chegou a tocar no Brasil e meados dos anos 2000, mas sem Alvin Lee, que estava mais uma vez brigado com seus ex-companheiros.

 

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