Alma do Procol Harum, Robin Trower ressurge

Estadão

16 de novembro de 2010 | 15h50

Marcelo Moreira

Outro dia mencionei aqui que provavelmente o guitarrista irlandês Rory Gallagher, herói nacional daquele país, é o instrumentista mais injustiçado do rock, ao menos entre os guitarristas. Ele recusou entrar patra os Rolling Stones, mas isso não justifica o ostracismo parcial.

O mesmposso dizer em relação a Robin Trower, guiterrista inglês que ajudou a moldar o som de um ícone do rock-pop britânico, o Procol Harum – frequentemente listado como rock progressivo.

Trower é o segundo mais injustiçado no rock. Não é tão virtuoso nem técnico quanto Gallagher, mas pode ser considerado um gênio das seis cordas, tendo a admiração de ninguém menos do que Paul McCartney e Eric Clapton.

Depois de alguns no submundo do show business, Trower está de volta ao topo, e em alto nível. Em 7 de dezembro, lançará o novo álbum de estúdio “The Playful Heart” pela sua própria gravadora, V-12 Records. A distribuição na América do Norte será feita através do grupo MVD Entertainment. O trabalho foi gravado com sua banda de tournês, que inclui velhos amigos e companheiros de estrada.

O vocalista é Davey Pattison, experiente no underground roqueiro britânico e que gravou dois excelentes álbuns há cinco anos com o guitarrista alemão Michael Schenker – com o nome de Schenker/Pattison Summit, lançaram “The Endless Jam” e “The Endless Jam Continues…”, ambos recheados de versões para clássicos do rock.

“The Playful Heart” foi produzido por Livingston Brown, também velho amigo, que conseguiu “domar”, no bom sentido, o estilo furioso e caótico de Trower, tornando as execuções mais instrospectivas. Três delas estão disponíveis para audição em http://www.trowerpower.com/.

O guitarrista começou a sair do limbo em 2003, quando gravou o excelente “Living Out of Time”, que rendeu um album ao vivo dois anos depois, registrado na turnê europeia daquele ano. O vocalista já era Davey Pattison.  O inesperado sucesso o levou a um amigo de longa data, de quem havia perdido o contato.

O baixista escocês Jack Bruce havia terminado em 2006 a longa turnê de retorno do Cream ao lado de Eric Clapton e Ginger Baker e estava sedento por novo trabalho. foi aí que se reaproximou de Trower, com quem havia gravado dois maravilhosos álbuns nos anos 80 – “BLT” (1981) e “Truce” (1982), que foram bem no mercado, mas não tanto quanto os dois artistas esperavam.

Enquanto Pattison trabalhava com Michael Schenker, Trower aceitou o convite de Bruce e gravaram o ótimo álbum “Seven Moons”, lançado em 2008 – a turnê do ano seguinte rendeu o lançamento de “Seven Moons Live”. Esses trabalhos foram o suficiente para que o outrora inseguro Trower decidisse pelo novo trabalho a ser lançado em dezembro.

Apesar de excelente instrumentista, foi descoberto tarde, em 1967, quando entrou no Procol Harum após o anos no fraco trio The Jam – não confundir com o trio de Paul Weller, dos anos 70.

Na banda liderada pelo tecladista Gary Brooker foi o responsável pelo desenho melódico das intrincadas composições que beiravam o rock progressivo. O hit mundial “A Whiter Shade of Pale” obscureceu o talento do grupo, de Brooker e de Trower, que eram muito mais do que aquela música sugeria.

Foram seis álbuns no Procol Harum, até que em 1972 decidiu formar a Robin Trower Band, em movimento semelhante ao de Rory Gallagher, na mesma época, quando saiu do Taste.

O resultado disso foi a obra-prima “Bridge of Sighs” (1974), gravado ao lado de Frankie Miller (vocais), Clive Bunker (bateria, ex-Jethro Tull) e James Dewar (baixo). Quem puder, escute esse álbum, é item obrigatório em qualquer coleção.

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