Ajustado, som do Rock in Rio ganha brilho

Estadão

16 Setembro 2013 | 22h10

Julio Maria

Céu azul de Sol e noites de lua inspiradora. Até a natureza parece ter jogado a favor do Rock in Rio no primeiro final de semana. O saldo geral dos três dias, com médias de 83 mil pessoas em cada um, é muito bom. As cabeçadas que o empresário Roberto Medina deu no passado revertem-se em aprendizado, sobretudo no quesito programação. Há ajustes que podem ser feitos para o próximo final de semana, algo que está ao alcance da produção. O restante, o que já ocorreu nos palcos até aqui, é a história que já está escrita, para o bem e para o mal de quem a protagonizou.

Justin Timberlake era mesmo o nome mais aguardado da primeira etapa no Palco Sunset. Veio em uma espécie de bloco soul bem arquitetado pela curadoria do festival. Aliás, a ausência de vaias até o momento (que já carimbaram gente grande que passou pelo Rock in Rio, como Lobão e Carlinhos Brown) é mérito também deste jogo de xadrez bem armado. É possível, como se vê agora, juntar públicos que se comuniquem, como ocorreu entre os fãs de Jota Quest, Jesse J, Alicia Keys e Justin. E pensar que já escalaram Carlinhos Brown para um dia de rock pesado.

O som foi outro ponto ajustado. Em comparação com 2011, quando microfonias e massas emboladas de guitarra e voz tornaram-se comuns em quase todos os shows, esta edição aproximou-se da excelência. Faz até aqui a melhor sonorização dos históricos do Rock in Rio. O Palco Sunset ganhou PAs (caixas de som) da mesma dimensão do que as que ficam no Palco Mundo. E do Palco Mundo tudo sai com brilho, nitidez e força, sem agredir os ouvidos. Está tudo mais alto, mas um volume com qualidade. Em som, virou primeiro mundo.


O esquema de transporte público (ônibus) deste ano, saindo dos terminais, foi bem pensado. A segurança reforçada dá sensação de tranquilidade na Cidade do Rock e nas imediações. E a circulação entre um palco e outro só é prejudicada quando o Palco Sunset leva alguém que não deveria estar lá.

Começam aí os problemas. Nando Reis e Samuel Rosa, assim como o Offspring, são nomes que precisam de mais espaço. O público que arrastam fica por demais desconfortável na área do Sunset. Melhor se estivessem no Mundo. Quando não perde seu caráter de provocar a surpresa, muitas vezes, para os próprios músicos que se encontram ali pela primeira vez, o Sunset torna-se o melhor dos palcos. Das surpresas melhores, surgiram por ali a banda Vintage Trouble, que cantou com Jesuton na sexta, e BNegão e Autoramas, no sábado. Tudo pouco ensaiado, mas com verdade de sobra.

As filas da tirolesa não foram contornadas e nem devem ser. Ela impõe-se como atração à parte. Os músicos adoram ver as pessoas penduradas passando em frente a eles. Alguns não resistem e se penduram ali também, como fez Jared Leto no show do 30 Seconds to Mars. Ontem, a espera voltou a bater as seis horas de espera. A insanidade é dos fãs que perdem um dia de shows para fazer um sobrevoo de 15 segundos.

Depois de uma estreia em silêncio, o rock resolveu abrir o bico no sábado, quando Tico Santa Cruz, do Detonautas, puxou um coro de “Fora, Cabral”. Pouco depois, Dinho Ouro Preto dedicou a canção Saquear Brasília ao deputado federal Natan Donadon (ex-PMDB-RO). Mais protestos, no palco, são esperados para o próximo final de semana.

O cheiro de frustração vem de Beyoncé. Suas boas intenções em trazer 200 peças no armário e usá-las todas em uma hora de show deixou sua performance truncada, arrastada, fragmentada, sem ritmo. A produção venceu a canção, e o público se dispersou em vários momentos.

Mais conteúdo sobre:

Rock in rio