A visita histórica do Black Sabbath fecha um ciclo

Estadão

11 de outubro de 2013 | 11h58

Marcelo Moreira, com informações do Estadão.com

Parece que o Black Sabbath está caindo aos pedaços. Ozzy Osbourne sequer sabe que bandeira está tremulando – dizem que raramente sabe onde está. Tony Iommi aparentemente está com o câncer linfático controlado, mas está sendo poupado de compromissos com imprensa e marketing. Entretanto, que viu a banda em ação em Buenos Aires garante: é um show poderoso e fantástico. Que assim seja.

A banda começou ontem sua peregrinação pelo Brasil com um concerto em Porto Alegre. Nas redes sociais o adjetivo mais simplesinho dizia que foi “sublime”. Ozzy mostrou-se extremamente à vontade no palco e Iommi detonou. Simples assim. Em entrevista no Rio sobre sua turnê pelo Brasil,  Ozzy Osbourne e Geezer Butler demonstraram realmente que estão curtindo a turnê mundial e o sucesso do álbum “13′, o primeiro de estúdio com o vocalista em 35 anos.

“A recepção à turnê está sendo muito melhor do que eu imaginava. Fico chocado. É muito triste o Bill não estar conosco mas fizemos o que tínhamos que fazer. Tony está lutando contra um linfoma, por isso não quero fazer planos para o futuro. Estamos cruzando os dedos para dar tudo certo”, disse Ozzy, que contemporizou ao responder pergunta sobre a confusão de bandeiras no show de Buenos Aires (ele exibiu a bandeira brasileira): “Alguém jogou no palco e eu peguei. São coisas que acontecem. A música é universal”.

Existe muita expectativa em relação aos shows, em especial ao de São Paulo, cujos ingressos esgotaram no primeiro dia de vendas. Entretanto, nada se compara à primeira visita da banda ao país, em 1992, com Ronnie James Dio no vocais. Era a formação clássica dos álbuns “Heaven and Hell” e “Mob Rules”, e a comoção gerada pela notícia da vinda da banda foi inversamente proporcional à baixa expectativa de quem os trouxe.

Dois shows agendados no antigo Olympia, na zona oeste de São Paulo, com seus parcos 8 mil ingressos vendidos em poucas horas, forçaram os organizadores a correrem para agendar uma apresentação extra no inacreditável Ibirapuera, totalmente inadequado para receber um evento de tamanha importância – e é claro que a carga de ingressos foi igualmente insuficiente. Mais de 40 mil pessoas estiveram no estádio, com mais de 5 mil para fora na expectativa de ao menos ouvir o som ruim, mas insano.

A devoção ao grupo era tanta que a vinda foi considerada tão histórica quanto os shows do Queen em 1981, do Kiss em 1983, do Van Halen no mesmo ano e até mesmo do Rock in Rio, em 1985. Por isso é que estou estranhando que a turnê atual esteja sendo recebida com certa “normalidade” por fãs e mesmo a imprensa. Até mesmo um ser folclórico como Ozzy está tendo menos atenção do que de costume.  Será que a overdose de shows e um festival bem-sucedido como o Rock in Rio tiraram parte do brilho da vinda do Sabbath?

A chegada de um ícone importantíssimo como Black Sabbath com Ozzy Osbourne fecha um grande ciclo histórico de shows de rock de grande porte no Brasil. Todos os gigantes já passaram por aqui. Pink Floyd e Led Zeppelin não vieram e jamais virão porque não existem mais, mas tivemos a honra de ver Jimmy Page e Robert Plant juntos em 1996, enquanto Roger Waters já veio duas vezes no século XXI. David Gilmour aparentemente está perto da aposentadoria, e só toca perto de casa, em Londres. Alguém disse The Who? Sim, dos gigantes, é o único que falta, mas que não virá por absoluto desinteresse – e velhice – dos dois integrantes originais remanescentes.

Portanto, o Sabbath com Ozzy era o único da linhagem real que faltava. A lista de quem pisou em nossos palcos é extensa: Bob Dylan, Bruce Springsteen, Rolling Stones, Eric Clapton, U2, Pearl Jam, Nirvana, Yes, Alice Cooper, Kiss, Queen, Iron Maiden, Metallica, Motorhead, Emerson, Lake and Palmer, Jethro Tull, UFO, Scorpions, Judas Priest, Deep Purple, Whitesnake, Aerosmith, Page & Plant, Roger Waters, Ozzy Osbourne em carreira solo, Ten Years After, Focus, Dream Theater, Queensryche, Guns N’ Roses, Bon Jovi, Aerosmith, The Cure, The Cult, New Order, Depeche Mode, Sex Pistols, Bad Religion. Paul McCartney, Ringo Starr, Oasis, Radiohead, Coldplay, Yardbirds, Neil Young, Twisted Sister, Saxon… Faltaram o Clash, os Kinks, os Moody Blues…

Para quem gosta de música, Black Sabbath com Ozzy Osbourne é um evento histórico, daqueles que dividem eras. Escolha os adjetivos: imperdível, obrigatório, fundamental, vital…

P.S.: Geezer Butler anunciou na coletiva do Rio de Janeiro que o  DVD Black Sabath: Live…Gathered in Their Masses” será lançado em 26 de Novembro em formatos DVD standard, Blue-ray standard Blue-ray/CD, DVD/CD e Caixa Deluxe. Gravado em Melbourne, na Austrália em 29 de abril e 1º de maio desse ano , o DVD mostra a primeira apresentação ao vivo das músicas novas do álbum “13”, em meio aos grandes hits da banda.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: