A viagem de duas violas atômicas pelo rock

Estadão

29 de janeiro de 2011 | 08h29

Julio Maria e Marcelo Moreira *

Se as violas fizessem parte do cancioneiro rock and roll, Ricardo Vignini e Zé Helder seriam heróis. Afinal, são eles que há tempos rompem com essa história de que o instrumento seja limitado e que nasceu só para morar na roça. O que esses caras fazem não é brincadeira.

Com 12 cordas de aço cada um, eles pesquisaram obras que melhor aceitariam a linguagem ‘violística’ e fizeram um álbum em que nada soa forçado. Kashmir, do Led Zeppelin, é a perfeita abertura. E o disco segue com “Norwegian Wood”, “In the Flesh”, “Smells Like Teen Spirit” e “Aqualung”.

“Moda de Rock – Viola Extrema” é um projeto primoroso. Segundo eles, o álbum é um resgate de suas origens roqueiras, já que as músicas que foram escolhidas fizeram parte da trajetória musical dos dois músicos. Uma forma de prestar homenagem aos artistas que os incentivaram a pegar o primeiro violão e dar os primeiros acordes e também para fazer um trabalho novo e inovador.

 Ricardo Vignini é violeiro, compositor, professor de música, produtos fonográfico e cultural e pesquisador de música tradicional. Seu gosto pela musica caipira veio através de parte de sua família, de Águas da Prata e São João da Boa Vista, e o lado italiano veio de Rio Claro.

Nascido em São Paulo, durante sua adolescência tocou muita guitarra, muito rock e blues, fez parte da banda de rock Cheap Tequila. O violeiro também já tocou ao lado dos músicos americanos Bob Brozman e Wody Mann em suas turnês brasileiras, também tocou em duo com Christian Oynes e em participações com a banda Serio Duarte & Entidade Joe.

Ricardo também é proprietário de um estúdio caseiro, onde grava artistas, trilhas e campanhas publicitárias. Está no Matuto Moderno desde 200 e lançou nesse ano o seu primeiro CD solo,  “Na Zoada do Arame”, álbum totalmente instrumental.

Zé Helder também é violeiro e compositor, nasceu em Cachoeira de Minas/MG. Neto de violeiro, tem dois CDs solos lançados “A Montanha” (2004) e “No Oco do Bambu” (2009) , e “Orelha de Pau” (2002), trabalho inspirado na música regional e caracterizado pela instrumentação acústica e coro de três vozes.

Formado em Licenciatura em Música, é professor de música há 11 anos e músico profissional há 19 anos. Criou o curso de viola caipira no Conservatório de Pouso Alegre (Cempa) e atualmente leciona o instrumento no Conservatório Municipal de Arte de Guarulhos.

*Com informações do blog Musicólatras – http://musicolatras.blogspot.com

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