A 'terceirização' definitiva da lenda Blackfoot

Estadão

30 de março de 2012 | 06h40

Marcelo Moreira

Pode um músico ser o dono de uma banda e decidir não mais tocar nela, mas “terceirizar” os shows e os novos álbuns, chamando amigos e outros músicos para tocar o barco? Por mais esquisito que isso seja, é isso o que o guitarrista e ocasional baterista Rickey Medlocke está fazendo com o seu Blackfoot, uma das bamdas mais interessantes de hard rock/southern rock dos anos 70 e 80.

A banda vive de compilações e álbuns ao vivo desde 1994, ano em que lançou seu último álbum de estúdio, “After the Reign”. As formações foram mudando bastante e as atividades começaram a ficar bissextas, até porque Medlocke virou guitarrista do Lynyrd Skynyrd, que se tornou a sua atividade principal. O que é inexplicável é por quê ele não larga o osso e deixa o Blackfoot repousar em paz.

O Blackfoot 2012 agora terá Medlocke apenas como produtor. banda revigorada, ele mesmo escolheu os membros dessa nova formação: Tim Rossi (guitarra e vocais), Brian Carpenter (baixo e vocais), Phil Shouse (vocais e guitarra), Christopher Williams (bateria e vocais). A  banda irá entrar em estúdio e lançar um novo álbum em 2012, o primeiro em 18 anos.

Responsável por clássicos como, “Train, Train”, “Highway Song”, “Baby Blue”, “Road Fever”, “Gimme, Gimme, Gimme”, “Warped”, “On The Run”, “Dream On”, “Fox Chase”, Good Morning”, “Diary Of A Workingman”, “Rattlesnake Rock n’ Roller” e”  “Fly Away”, o Blackfoot surgiu em 1970 na Flórida, nos Estados Unidos, encabeçado por Medlocke, o baixista Greg T. Walker e o baterista Jackson Spires – os três com ascendência indígena, chamados de black foots (pés escuros) em muitos Estados norte-americanos.

O Blackfoot no início no final dos anos 70

Após muito trabalho e busca por turnês e locais para tocar, finalmente gravou seu primeiro álbum, “No Reservations”, em 1975, mas o sucesso mesmo só apareceu a partir de “Strikes”, de 1979, que inaugurou uma trilogia de obras-primas – seguiram “Tomcattin'”, de 1980, e “Marauder”, de 1981.

Apesar do sucesso e da qualidade do material, a banda começou a despencar do topo, com problemas internos e com as seguidas recusas da gravadora Atco em lançar o material que estava sendo produzido para o viria a ser os álbuns “Siogo”, de 1983, e “Vestical Smiles”, de 1984.

Incpreensivelmente muito inferiores aos da trilogia de ouro do Blackfoot, fracassaram e pouco venderam – e nem a presença do grande tecladista inglês Ken Hensley (ex-Uriah Heep) como integrante fixo por quatro anos conseguiu segurar a derrocada.

A partir de então a banda começou a a espaçar cada vez mais os lançamentos e as turnês, sem no entanto anunciar uma separação e o fim definitivo. Rickey Medlocke herdou o legado e teve de se virar com as constantes trocas de integrantes, mas continuou lançando alguns álbuns inexpressivos, até que em 1996 vitou integrante definitivo do Lynyrd Skynyrd e deixou a banda congelada por oito anos – o grupo só tocou em ocasiões especiais.

 

Ricky Medlocke em 2010, durante show do Lynyrd Skynyrd nos Estados Unidos

Em 2004 Medlocke tentou ressuscitar o gru0o com a formação original, chamando de volta Walker, Spires e o guitarrista Charlie Hargrett, integrantes originais e fundadores. Uma turnê bem-sucedida ocorreu naquele ano e no começo de 2005, e nem a morte repentina de Jackson Spires, vítima de um aneurisma cerebral, atrapalhou o bom momento da banda.

Entretanto, entre 2006 e 2010 o Blackfoot voltou à rotina de trocas incessantes de integrantes, com os fundadores se afastando novamente, deixando tudo nas mãos de Medlocke, cada vez mais ocupado com o Lynyrd Skynyrd. Foram poucas as apresentações, com longos hiatos entre as turnês, sendo que algumas nem contaram com Medlocke.

 Por mais que o guitarrista tenha tentando e insistido – e merece todo o respeito por isso -, o Blackfoot acabou mesmo, perdeu a sua essência, após a turnê do álbum “Marauder”. A terceirização definitiva do grupo por Rickey Medlocke, mais proecupado com o Lynyrd Skynyrd, só oficializa o atual projeto como um mero cover de si mesmo.

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