A tardia ressurreição de um 'monkee'

Estadão

25 de setembro de 2010 | 08h12

Marcelo Moreira

Mais uma da série “Mortos Vivos”. De forma inesperada e surpreendente, Micky Dolenz, um dos integrantes da mais famosa e bem-sucedida banda artificial de todos os tempos – The Monkees -, retorna à música depois de dez anos sem gravar. “King for a Day” é um tributo de muito bom gosto à cantora e compositora Carole King, autora de muitos hits do grupo de Dolenz nos anos 60.

Ator de origem, filho de pai também ator de cinema, Dolenz começou cantar aos 9 anos em dupla com a irmã. Atuou em seriados para adolescentes no fim dos 50, quando foi para a universidade. Aos 18 anos, tentou largar o cinema e partiu novamente para a música em alguns gruopos pop, sem resultado, até que foi recrutado, após vários testes, para ser um dos quatro monkees.

Apesar de não saber tocar instrumentos, virou o “baterista” do grupo montado para estrelaa a série homônima de TV. Surpreendentemente, tornou-se o melhor cantor entre os quatro. Após o fim do grupo, em 1970, trabalhou como diretor de teatro e televisão na Inglaterra e nos Estados, além de esporádicas gravações e apresentações com os Monkees.

mickydolenz

“King for a Day” é um trabalho excepcionalmente bem produzido, que transita entre o pop nostálgico e o country-folk, sem cair no brega ou no clichê.

“Sometimes in the Morning” é o destaque, música que os Monkees gravaram en 1967 com diversos músicos de estúdio – somente Mike Nesmith, o guitarrista, era músico de origem; Peter Tork, o “baixista” e “tecladista”, apesar de músico amador, tinha ótimas noções de seus instrumentos.

Merece destaque também a sequência “Take Good Care Of My Baby”, “Will You Love Me Tomorrow”, “Sweet Seasons” e “Crying In The Rain”. Enquanto Davy Jones, o outro cantor principal dos Monkees, enveredou para o pop romântico-brega e Mike Nesmith abraçou o country-folk com gosto, Dolenz preferiu gravar de vez em quando apenas, selecionando o repertório e despindo a produção dos excessos dos tempos de sua banda. Aos 64 anos, sua decisão foi mais do que acertada.

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