A sabedoria e a maestria do UFO em São Paulo

Estadão

14 de maio de 2013 | 22h00

Diego Camara – texto publicado originalmente no site Whiplash

O show começou exatamente às 19 horas, conforme havia já sido prometido pela produtora antes do espetáculo. A plateia pensou, aparentemente, que haveria atrasos no show, e muitas pessoas foram vistas chegando aos poucos durante ainda as primeiras músicas. Um show que parecia não ter sido lotado, no início, revelou uma plateia que cresceu timidamente, lotando no final o Carioca Club.

A banda saiu tocando a música “Lights Out” do álbum de mesmo nome. Já na primeira música podíamos ver uma banda extremamente bem afinada, com bastante técnica e capacidade. Derrubaram a casa já na primeira música, levando o público ao delírio.

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O show prosseguiu com “Fight Night”, também extremamente bem tocada, fazendo a plateia cantar junto durante toda a música. A animação do público transferiu-se para a banda, e Phil Mogg parecia extremamente contente em tocar para aquele público.

“Obrigado”, disse Mogg, sorrindo para a plateia, em um português bastante enrolado. Pediu desculpas que iria falar em inglês e disse que levou o dia inteiro para conseguir aprender a falar a palavra. Com grande empolgação tocaram os hits “Wonderland” e “Cherry”, bem recebidas pelo público. “Cherry”, com destaque, com sua cadência toda especial emocionou o público dando uma quebra nas músicas rápidas do show.

Phil Mogg disse então estar “sem palavras” com a resposta do público, sem duvidas espantado pela animação dos brasileiros. A surpresa dele parecia não ser unicamente dele, mas também de todos os membros da banda, que com atenção olhavam para o público.

Não podemos dizer que Mogg não estava certo. Uma grande surpresa deste show foi ver o grande número de jovens que estavam presentes no Carioca Club, especialmente por se tratar de uma banda muito pouco conhecida no Brasil, apesar de sua qualidade. Os jovens disputaram com o público mais velho e tornaram o show bastante plural. Além do que, extremamente disciplinados, souberam bem a hora de se animar e a hora de curtir a música, podemos dizer que um público bastante diferenciado era o que estava presente naquela noite.

Os grandes destaques no meio do show foram as músicas “Let It Roll” e “Only You Can Rock Me”. Executadas com perícia e técnica, encantaram a plateia, que não conseguiu se conter em momento algum da música. As mãos ao alto e a atenção do público grudaram em Mogg e companhia de um modo impressionante.

E o vocalista mostrou, apesar da avançada idade, porque ainda é um dos grandes frontmans do rock atualmente. Extremamente afinado e com uma voz marcante, além de grande presença de palco. Mogg dominou o pedestal do microfone como poucos. Grande malabarista, lançava-o para o ar e para os lados, como se tratasse de algo simples. Dominou o público, que sem dúvidas pode ver naquele senhorzinho de extrema simpatia um verdadeiro colega no palco.

Outro extremamente grandioso foi o guitarrista Vinnie Moore. Em uma apresentação com grande técnica e virtuose, Moore não perdeu nenhum solo, mostrou pegada, vontade e sem dúvidas porque é um dos grandes guitarristas da atualidade.

O show prosseguiu com “Love To Love”, com uma fantástica introdução feita nos teclados e guitarras que detonou a plateia. A música ainda contou com Moore no violão, dando uma pequena pitada de acústico nos momentos mais tranquilos da música.

“Atenção, por favor… posso ter a atenção de vocês por um minuto”, disse Mogg para a plateia que demorou a se tocar do vocalista. Puxou ainda, a orelha de um fã nas linhas de frente, e fez questão de apresentar os Marshalls que estavam na esquerda do palco, clássicos de 65: “vejam bem eles, vocês provavelmente nunca verão alguns como estes novamente”. Moore ainda aproveitou para fazer carinho neles, depois ameaçando dar um chute nos amplificadores.

A plateia ainda ouviria “Venus” com bastante atenção e silêncio, sentindo a música. Com um solo emocionante, ela contrastou com a calmaria na sua totalidade, causando um efeito fantástico. As músicas seguintes, ao contrário, causaram o efeito inverso. “Too Hot To Handle” detonou o público, que tão animado cantou o refrão até mesmo depois no solo final da música. Mogg não podia fazer outra coisa a não dizer um “Thank you” ao público.

A última música do show foi “Rock Bottom”. Antes dela, Mogg resolveu falar um pouco sobre como é ser um astro do rock: “olhem como isto é pesado”, disse, batendo o pedestal do microfone no chão do palco. Apresentou então Moore, que iniciou a introdução fantástica de “Rock Bottom”. Fez ainda, no final, um grande e virtuoso solo de guitarra, que encantou mais uma vez a plateia.

A banda saiu do palco e voltou rapidamente para o palco. Mogg pediu uma foto da plateia, que levantou as mãos e gritou para ele em resposta. Então Raymond e Moore começaram a introdução do sucesso “Doctor Doctor”, considerado o maior sucesso do UFO. Extremamente bem executada, a plateia se animou tanto que cantou a música até mesmo mais do que Phil Mogg.

A banda finalizaria o show com “Shoot Shoot”, em um fim com chave de ouro para um show mais que fantástico. A setlist, no geral, pareceu agradar o grande público presente e trouxe realmente os grandes sucessos da banda, além de obviamente divulgar as principais músicas do último álbum da banda, “Seven Deadly”.

A organização, inclusive, foi muito bem feita e nada ocorreu para prejudicar a qualidade do espetáculo. A entrada no show foi tranquila, bastante calma, e o som esteve ótimo durante toda a apresentação. Nada que impedisse o UFO de fazer um grande espetáculo resultou em um show conciso, interessante e uma das grandes passagens do ano pelo Brasil entre os shows de rockinternacionais.

Lista de músicas:

1. Lights Out
2. Mother Mary
3. Fight Night
4. Wonderland
5. Cherry
6. Let It Roll
7. Burn Your House Down
8. Only You Can Rock Me
9. Love to Love
10. Hell Driver
11. Venus
12. Too Hot to Handle
13. Rock Bottom
Bis:
14. Doctor Doctor
15. Shoot Shoot

 

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