A produção foi boa, assim como a organização, mas o público foi pequeno em São Bernardo

Estadão

19 de agosto de 2013 | 06h58

Marc. elo Moreira

Local adequado, estrutura boa, assim como a produção e a organização. Só faltou o público. Menos de 2 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, passaram pelo estacionamento dos fundos do ginásio poliesportivo de São Bernardo do Campo (ABC, Grande São Paulo) no último sábado para acompanhar, gratuitamente, shows de 13 boas bandas de heavy metal nacional. O evento fazia parte das comemorações dos 460 anos da cidade. O local já chegou a abrigar 35 mil pessoas em shows de artistas populares.

O frio e a garoa durante todo o dia espantaram e afugentaram muita gente. Ainda assim, o público decepcionou. E justamente em um evento gratuito – uma reclamação constante de quem gosta de rock pesado na Grande São Paulo são os “altos preços” para ver bandas nacionais, algo entre R$ 10 e R$ 40…

Quem desprezou o evento perdeu um ótimo espetáculo. As bandas se esforçaram bastante, ignorando o frio, o público médio de 500 pessoas durante o dia e mesmo pequenas falhas de microfone e guitarra. Tocaram com muita vontade e aproveitaram cada minuto do pouco tempo que tiveram. Quase todas eram do ABC e mostraram talento e bom material.

O prato principal foi o ótimo Ação Direta, que fechou a maratona de metal com seu punk-harcore-crossover de alta qualidade, e lançando o seu novo álbum, “World Freak Show”. Som alto, pesado, veloz e porrada, ajudando a esquentar a noite gelada. Provavelmente foi o grande show da banda no ABC, a sua casa.

Foto: Estrutura muito legal dos shows de Metal de hj, em SBC. Todas as prefeituras deveriam seguir o exemplo!!! Corre pra cá que ainda vai ter muita coisa legal!
Fez muito frio em São Bernardo, e o público não foi o esperado. Depois do show do Bioface (foto), no meio da tarde, o número de espectadores cresceu bastante (FOTO: LUCIANO PIANTONNI/FACEBOOK)

Houve outros destaques, como a banda Woslom e seu thrash metal clássico e violento, embalado pelas músicas do mais recente álbum, “Evolustruction”. O pesadíssimo Forka foi na onda, quebrando tudo para divulgar o ótimo álbum “Black Ocean”. Na linha do Biohazard, o Bioface foi muito bem, agradando com seu som pesado e denso. Mais melódico e tradicional, o Seventh Seal também agradou, assim como o veterano Negative Control com seu hardcore recheado de protesto.

O festival de metal de São Bernardo mostrou que esse é o caminho para que as bandas nacionais resgatem o público perdido para os downloads e para as toneladas de shows internacionais de pequeno e médio portes que coalham semanalmente as casas noturnas brasileiras.

Nem sempre vai ser possível fazer eventos gratuitos de porte como o de sábado, e nem sempre haverá uma organização e produção muito boas, como todas bandas que tocaram fizeram questão de ressaltar.  Entretanto, é um caminho, e o projeto Rock na Rua, da Prefeitura de Santo André, que é gratuito, e os eventos do coletivo Cidadão do Mundo, de São Caetano, com preços acessíveis, são portas alternativas que se abrem para as bandas iniciantes buscarem o público que ainda desconfia de artistas novos. Que o festival de São Bernardo seja o início de um novo período para o heavy nacional – ou ao menos para o da Grande São Paulo.

 

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