A obra-prima subestimada do Cult

Estadão

04 de novembro de 2012 | 07h15

Paulo Severo da Costa

Em 1991, o THE CULT já tinha cinco álbuns, sete anos de carreira e uma variedade incrível de texturas sonoras sob sua batuta. Depois do batismo definitivo (é válido lembrar que em 1983, eles lançaram, homonimamente, o full “Southern Death Cult” e o EP “Death Cult”), a banda passeou por entre o pós- punk (”Dreamtime” de 1984), o gothic de “Love” (1985) e, finalmente o hardão característico de “Electric” (1987) e o mega clássico “Sonic Temple” (1989).

Carregados na pegada setentista (e, inevitavelmente comparando, muito próximo ao estilo vocal de JIM MORRISON) da voz de IAN ATSBURY e na guitarra ácida e certeira de BILLY DUFFY foi, nessa última praia, que o som da banda britânica entrou de vez nos eixos. Embalados pela fábrica de hits do álbum anterior, lançaram, dois anos depois, o excelente “Ceremony”.

 Seguros pela cozinha experiente de MICKEY CURRY (bateria, ex- ALICE COOPER e DAVID BOWIE) e CHARLES DRAYTON (baixo, NEIL YOUNG e IGGY POP), e apoiados em arranjos de teclado e eventuais cordas, a banda fundiu o rock n´roll despretensioso de “Electric” com a faceta mais madura de seu sucessor, criando um álbum no qual se é impossível pular faixas.

Se o êxito comercial recheado de hits do passado ( “Eddie, “Sweet Soul Sister, “American Horse”) só se repetiu aqui com “Sweet Salvation”, em termos de qualidade, a banda mostrou que andava ombro a ombro- e muitas vezes superiora- ao melhor do hard no período. 

Wild Hearted Son” e “Ceremony” – a faixa – iniciam com alusões ao som de uma celebração nativa cherokke (alguém pensou no Lizard King?) e desembocam no melhor espírito arena de coisas como “New York City” do álbum anterior.

“Earth Mofo” vem carregada em um competente riff de DUFFY e, em uma análise mais contemporânea, lembra bem coisas que o VELVET REVOLVER faria quase quinze anos depois, “Full Tilt”- ao menos em seu início e refrões – lembra bem o VAN HALEN com Roth no início dos anos 80, e ambas são encharcadas de muita competência.

Mostrando a já conhecida habilidade de produzir baladas fora do esquema chororô, “Sweet Salvation”, “Heart of Soul” e “ If”- essa com um começo espetacular ao piano – mostram que capacidade, como diz o ditado- “é para quem pode e não para quem quer”. Adaptando o passado à encarnação atual, “Bangkok Rain” traz resquícios de uma pegada mais obscura e possui uma bateria simples e eficientíssima; a acústica “Indian” lembra o melhor de PAGEPLANT, quando atacavam nesse formato nos anos 70. Sinceridade? Um dos melhores discos dos anos 90.

Lista de músicas:

  1. “Ceremony” – 6:27
  2. “Wild Hearted Son” – 5:41
  3. “Earth Mofo” – 4:42
  4. “White” – 7:56
  5. “If” – 5:25
  6. “Full Tilt” – 4:51
  7. “Heart of Soul” – 5:55
  8. “Bangkok Rain” – 5:47
  9. “Indian” – 4:53
  10. “Sweet Salvation” – 5:25
  11. “Wonderland” – 6:10

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