A megalomania 360º do U2

Estadão

09 Abril 2011 | 08h09

Pedro Antunes

Há um misto de estranhamento e fascinação. Ficar próximo do futurístico palco do show da turnê U2 360º é como estar diante de uma espécie de nave espacial, ou até de uma garra gigante, com quatro presas, iguais àquelas usadas em máquinas de pegar bichinhos de pelúcia. A diferença é que a estrutura toda tem 46 metros de altura, o equivalente a um prédio de 15 andares. Assusta um pouco, sim.

A convite da produção da turnê do U2 no Brasil, o JT foi conferir os últimos ajustes da montagem do palco, apelidado de “claw” (garra, em inglês), pelos fãs. Eram 15h30 de quinta-feira, no Morumbi, o sol castigava os funcionários, brasileiros e gringos, que se preparavam para erguer o telão circular de 1.300 m², que ficará suspenso sobre o palco principal, também circular. A banda faz três shows no estádio, hoje, amanhã e quarta, com todos os 88 mil ingressos de cada apresentação esgotados.

Tudo faz parte de um projeto megalomaníaco da banda, que começou com a turnê de Zoo TV, em 1992. Na ocasião, o grupo já contava com um palco futurista, meio ciberpunk, com telas de vários tamanhos, espalhadas por todo o cenário. Em 1997, veio a turnê Pop Mart, cujo disco tinha um novo flerte com a música eletrônica. Foi usado um telão de 50 metros de largura por 15 de altura, que custava US$ 7 milhões (cerca de R$ 11 milhões, em cotação atual).

U2 prepara nova invasão a São Paulo (REUTERS/Marcelo del Pozo)

O canadense Craig Evans, de 51 anos, é diretor de turnês do U2 desde Pop Mart. Ele faz questão de exaltar a dificuldade de se montar o palco localizado no meio do gramado. “Para vocês (jornalistas) terem uma ideia, nós temos sempre três palcos. Um sendo montado, que é este aqui (aponta para o “claw”), outro é transportado para outro estádio, enquanto o terceiro é desmontado”, explica. O custo de cada um varia de US$ 25 milhões (R$ 39,2 milhões) a US$ 35 milhões (R$ 55 milhões).

Com experiência de ter participado de turnês de nomes de peso, como os Rolling Stones e Paul McCartney, Evans ainda se surpreende com o tamanho da estrutura criada para essa turnê. “Não havia a tecnologia para fazer um telão de 500 mil pixels, capaz de mostrar imagens em 360º”, diz.

A ideia de posicionar o palco no centro do gramado dos estádios veio de Bono. Era 9 de dezembro de 2006, última apresentação da turnê Vertigo, que inclusive passou pelo Brasil, em fevereiro daquele ano.

O vocalista caminhava pelo palco e perguntou ao diretor de shows, Willie Willians, se era possível colocar o palco no meio do gramado. Naquela noite, Bono montou uma maquete tosca do que seria o palco da apresentação de hoje, usando quatro garfos. A ideia estava montada.

A turnê é baseada no disco No Line on the Horizon (2009), cujo material não é tão empolgante. Mas os 35 anos de estrada deram ao U2 a capacidade de ter hits de sobra e Bono (vocal), The Edge (guitarra), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen, Jr. (bateria), sabem como agradar ao público como poucos. São verdadeiros showmen, num palco grandioso. Se duvida e tiver a oportunidade de ir a um dos shows, dê uma olhada ao redor, em 360º, claro. 

DIVIRTA-SE
U2. Estádio do Morumbi.
Pça Roberto Gomes Pedrosa, s/n.
Hoje e quarta (13), às 20h (abertura dos portões às 16h). Amanhã, 19h30 (abertura às 15h). Ingressos esgotados.

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