A grande obra do Pink Floyd faz 40 anos – parte 6 – final

Estadão

30 de março de 2013 | 12h01

Irapuan Peixoto – site HQRock

As músicas

Speak to Me

(Mason)

O álbum inicia com um pulso, uma batida de um coração, que se mantém firme enquanto outros efeitos sonoros vão crescendo, como uma risada louca, gritos de uma mulher até chegar à faixa seguinte. Segundo Roger Waters, a pequena introdução é creditada ao baterista Nick Mason simplesmente porque ele não tinha nenhum outro crédito no álbum.

Breathe (In the Air)

(Waters, Gilmour, Wright)

Esta canção é principalmente de David Gilmour, que criou o ritmo de guitarra que estrutura a faixa, mas recebeu uma contribuição de Richard Wright na segunda parte, além da letra de Roger Waters. É uma canção quase tradicional, com uma beleza excepcional advinda de sua guitarra slides e das interjeições do órgão hammond de Wright. Seu único defeito é ser curta.

On the run

(Water, Gilmour)

Esta faixa instrumental era mais tradicional nos shows ao vivo antes da gravação do álbum, mas no disco, virou uma peça muito experimental, inteiramente conduzida pelos sintetizados EMS, executados principalmente por Waters e Gilmour, que levam a autoria da faixa. Para somar, a bateria de Mason marca o ritmo junto a uma série de efeitos sonoros, que incluem motores de carro e aviões, além de passos de corrida e respiração ofegante. No fim, a queda de um avião encerra tudo, efeito que foi levado para os shows, no qual um avião desliza sobre a plateia e explode acima do palco.

Time/ Breathe (Reprise)

(Mason, Waters, Wright, Gilmour)

O primeiro grandíssimo momento do disco, Time é um clássico imortal do Pink Floyd e do rock dos anos 1970. Uma canção fabulosa, com instrumental impecável e uma letra perturbadora sobre o uso humano do tempo. A canção inicia ainda com a reverberação da explosão anterior, seguindo-se o tique e taque de um relógio de corda e, por fim, a explosão de vários despertadores ao mesmo tempo, num efeito espetacular! A seguir, um longo interlúdio instrumental composto por frases soltas de teclado, guitarra e percussão num crescendo até a entrada da canção propriamente dita. O elemento central de Time foi composto por Roger Waters (letra e música) e é uma faixa muito forte, mas o solo de guitarra fantástico de David Gilmour deu mais vida ainda à canção e virou sua grande marca. Gilmour também faz os vocais principais, acompanhado por backings de Richard Wright. Este faz o vocal principal mais melancólico dos refrões. Na etapa final, Time repete Breathe com outra letra, diminuindo a velocidade até parar.

The great gig in the sky

(Wright, Torry)

O estranho instrumental de Richard Wright ganha outra identidade com os vocais gritados, suspirados e gemidos de Clare Torry, que dão à faixa uma característica única. Apesar da voz não há letra, apenas sentimento.

Money

(Waters)

O Lado B do vinil iniciava com esta que se tornaria uma das canções mais famosas do Pink Floyd. Primeiramente, apenas o som de moedas e de uma caixa registradora para finalmente entrar o marcante riff de baixo de Roger Waters em um compasso estranho de 7/4. A letra fala sobre a estupidez que as pessoas com muito dinheiro fazem e o vazio de suas vidas. A banda está excepcional na execução e é completada por um bom solo de saxofone de Dick Perry. Depois, a canção muda de ritmo e vem outro solo, agora de guitarra, até tudo voltar ao início. A canção foi reduzida e lançada como um compacto nos EUA e foi o primeiro grande sucesso radiofônico do Pink Floyd naquele país. Até hoje é ouvida ocasionalmente nas rádios.

Us and Them

(Waters, Wright)

A mais bela balada do álbum, a faixa de Wright que era instrumental ganhou uma boa letra de Waters sobre a alienação e a loucura na sociedade contemporânea. Além do belo ritmo conduzido pelo órgão e o piano de Wright, interjeições significativas do sax de Perry, bonitos fraseados de guitarra de Gilmour e passagens fortes do baixo de Waters, tornam essa canção uma das mais deliciosas do Pink Floyd para ouvir com fones de ouvido no escuro. Experimente. Apesar da autoria de Wright, é David Gilmour quem canta a canção, emprestando ainda mais beleza com sua voz cheia de calor. A repetição da última palavra dos versos iniciais de cada estrofe tornaram-se uma marca da canção.

Any Color you Like

(Gilmour, Mason, Wright)

Esta é a faixa instrumental mais tradicional do disco, realizada quase inteiramente apenas com um diálogo entre os instrumentos da banda, especialmente os teclados e a guitarra.

Brain Damage

(Waters)

Balada folk perturbadora de Roger Waters sobre a loucura é marcada pelo fraseado ritmo da guitarra de David Gilmour, que remete diretamente aos fraseados de George Harrison nos Beatles. É a primeira faixa do álbum cantada por Waters, que empresta muito significado às suas próprias palavras. É nesta canção em que a expressão “darkside of the moon” aparece, encerrando o último estrofe e servindo de passagem direta, sem interrupções, para a faixa seguinte.

Eclipse

(Waters)

Esta canção, novamente cantada por Roger Waters, é quase inteiramente uma letra de lamento, dizendo que tudo o que você possa fazer é inútil, para encerrar com a célebre frase: “E tudo sob o sol está em ordem/ Mas o sol é eclipsado pela lua…”. A faixa chegou a batizar o projeto por um tempo e é um final em clímax para o disco, tendo em vista sua execução enérgica. Após alguma calmaria no final, volta-se à pulsação cardíaca do início do disco, que o encerra também desaparecendo no infinito.

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