A grande obra do Pink Floyd faz 40 anos – parte 2

Estadão

29 de março de 2013 | 11h59

Irapuan Peixoto – site HQRock

Fugindo… O Pink Floyd a caminho do Lado Escuro

A banda no fim dos anos 1960: buscando uma identidade.

A banda no fim dos anos 1960: buscando uma identidade.

O Pink Floyd, então, passou a existir à sombra da presença de Barrett e a sonoridade ainda mais experimental que adotaram – menos pautada em canções e mais em som e conceitos – terminou tornando-os mais exóticos, embora mantivessem uma parcela fiel de fãs. De qualquer modo, entre 1968 e 1972, o Pink Floyd foi a principal banda alternativa da Inglaterra, lançando outros sete álbuns, que chegavam ao Top10 das vendas justamente por causa desse prestígio.

Internamente, contudo, a banda se sentia perdida e sem rumo. Por isso, quando Roger Waters começou a desenvolver o conceito de um disco que falasse sobre alienação, violência e o medo da loucura no mundo moderno, todos ficaram muito empolgados ao encontrarem um objetivo. Por isso mesmo, o projeto, inicialmente chamado de Eclipse, foi gestado lentamente. Logo após o lançamento do álbum Middle, em 1971 (que traz o clássico Echoes), a banda começou a trabalhar em composições novas que fariam parte de Eclipse. Em novembro daquele ano, após excursionarem pelos EUA, o quarteto se reuniu em um estúdio de ensaios e começou a trabalhar nas canções do que seria a sua maior obra-prima.

Nós e Eles… Criando as canções

O Pink Floyd ao vivo em 1971.

O Pink Floyd ao vivo em 1971.

Duas das canções do que seria mais tarde o Darkside of the Moon já existiam. Primeiramente, uma bela e triste balada instrumental levada ao piano – e composta por Richard Wright – chamada de The Violence Sequence, porque foram composta para a trilha sonora do filme Zabriski Point, de Michelangelo Antonioni, em 1970, com a qual a banda contribuiu. A intensão era contrastar uma cena de violência (como o título sugere) com essa melodia tocante. Mas o diretor não aceitou e ela não foi usada. A canção, então, foi apresentada algumas vezes ao vivo nos shows da banda.

A outra peça era a mais abstrata chamada Religion, um número instrumental caótico também calcado nos teclados de Wright, especialmente um órgão hammond, que a banda também usava em alguns shows.

Por fim, apareceu uma canção mais tradicional composta por Waters e batizada – vejam só – de Darkside of the Moon, que chegou a ser gravada nas sessões para Middle, mas não fora finalizada. Seria rebatizada de Brain damage em seguida.

A partir dessa base, a banda começou a trabalhar no que viria a ser o álbum. Waters teve a ideia de usar aquelas canções para criar um álbum-conceito, que girasse todo em torno daquelas temáticas: violência, loucura, dinheiro, religião… Enfim, um disco sobre a alma humana no tempo contemporâneo. Chamou-o de Eclipse por remeter a algo que vai escurecendo com o tempo. O tempo, outro conceito!

A banda na época de Darkside of the Moon: preparando uma lenda.

A banda na época de Darkside of the Moon: preparando uma lenda.

Em meio aqueles ensaios de novembro de 1971, Waters levou duas gravações demo de canções que havia recém-composto: Time e Money. Eram canções completas, com letra, melodia e harmonia, e faziam uma leitura crítica do mundo social ao qual estamos imersos. Ambas também traziam uma mudança de estilo: até então, as letras de Waters seguiam os designo do rock progressivo e dos discos altamente experimentais do Pink Floyd, com mensagens etéreas e enigmas. Time e Money eram canções com letras mais diretas e absurdamente simples. E eram canções – isso não deve ser esquecido – e não as sessões semiintrumentais da banda girando em torno de conceitos.

A inspiração imediata de Waters era o álbum Plastic Ono Band, de John Lennon, lançado em 1970. Fora o primeiro disco do compositor após o fim dos Beatles e é carregado de simplicidade nas letras e no som. Mas tudo com uma mensagem forte. Muito forte. É um soco no estômago. Waters queria aquilo adaptado à realidade do Pink Floyd.

Novas canções e conceitos foram surgindo e já em janeiro de 1972, o Pink Floyd apresentou uma versão primitiva de Eclipse, num concerto em Brighton, na Inglaterra. As 10 faixas que iriam compor o futuro álbum já estavam mais ou menos lá, embora algumas com outros títulos e formatos.

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